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Brasil

Corte de verbas federais antecipa debate eleitoral em MS

17 Mai 2011 - 18h10Por Willams Araújo
Deputados da base aliada e de oposição entraram em confronto no plenário da Assembleia Legislativa na sessão desta terça-feira por causa dos ataques do líder da bancada do PSDB na Casa, Professor Rinaldo, ao governo de Dilma Rousseff. 
 
O tucano ocupou a tribuna para defender os prefeitos que, segundo ele, estão em dificuldades para honrar seus compromissos por causa do contingenciamento de recursos federais.
 
Apesar de justificar suas críticas dizendo-se preocupado com a situação das prefeituras, o debate entre governistas locais e a oposição ao governo de André Puccinelli (PMDB) é visto por analistas como campanha eleitoral antecipada, uma vez que os dois grupos políticos se prepararam para eleger prefeitos e vereadores em 2012.   
 
Rinaldo disse que municípios penam com os cortes do governo e que um exemplo disso é a saúde. “O município tem de contribuir com 15%, mas isso chega a 29%, e a PEC 29 tão esperada nunca é aprovada”, disparou o tucano, referindo-se a emenda constitucional que fixa percentuais de investimento no setor pelas três esferas de governo.   
 
O líder do PSDB mexeu com os ânimos dos petistas quando colocou  que o então presidente Lula “dizia que o Brasil navegava em um céu de brigadeiro, mas nunca reconheceu que isso também era mérito do governo do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB).   
 
Ele disse que a gastança do governo Lula foi muito grande, porque, além dos investimentos, também teve muitas mentiras no PAC (Programa de Aceleração do Crescimento).   ”A dívida do País duplicou na gestão Lula, chegando hoje ao patamar de R$ 1,700 trilhão. “É preciso que se discuta esses assuntos independente de partidos. Não estava tudo às mil maravilhas, por que então o governo Dilma chega aos seis meses com todos esses problemas?”, questionou. 
 
A reação veio com um contra-ataque fulminante, já que o deputado Pedro Kemp (PT) direcionou suas críticas à administração do prefeito de Campo Grande, Nelsinho Trad (PMDB). 
 
Kemp ironizou os adversários lembrando que o governo federal despejou dinheiro para investimento em obras na Capital, durante o governo do presidente Lula. 
 
“Aqui o Brasil atravessou a crise gerando empregos. Agora estamos enfrentando a alta da inflação e por isso estão fechando um pouco as torneiras. É muito fácil administrar uma capital como Campo Grande com recursos federais, mas agora que acabou um pouco essa facilidade, vê-se a incompetência de gerir a cidade com recursos próprios”.  Não tem uma obra que esse prefeito começou e terminou. Aqui temos o IPTU mais caro do Brasil, uma das tarifas de transporte coletivo mais caras, o FPM aumentou”, disparou Kemp, dizendo que Nelsinho reclama de barriga cheia. 
 
A deputada Mara Caseiro (PTdoB), que já foi prefeita da cidade de Eldorado, saiu em defesa de Nelsinho. 
 
 
“Quero fazer coro com o Rinaldo, porque só quem já foi prefeita como eu sabe como é a pressão. É na porta das prefeituras que a comunidade bate quando a situação fica ruim. Criou-se uma expectativa na população por conta dessas obras, algumas inclusive já começadas. Acho que o prefeito Nelsinho Trad tem todo o direito de ir na imprensa falar de sua angústia, de suas preocupações”, reforçou. 
 
Segundo Mara, os prefeitos não podem pagar o ônus todo desse problema. “Acho que o Nelsinho teve muita coragem de defender a Dilma durante a campanha e agora tem todo o direito de questionar o por que não consegue terminar suas obras. A receita da Capital é grande, mas a cidade também tem muitos problemas para resolver, inclusive da saúde, já que recebe pacientes de todo o interior e até de outros países”, acrescentou.  
 
Durante aparte, o democrata Zé Teixeira (DEM) disse que Nelsinho não é o único a reclamar, uma vez que prefeitos de mais de 5 mil municípios vivem em Brasília, na porta dos ministérios, de pires na mãos, em busca de recursos. 
 
“A choradeira não é só dele, é de todos, e a única saída para isso é uma melhor política tributária”, sugeriu o deputado douradense.

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