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Bolívia paga à Petrobras primeira parcela das refinarias

11 Jun 2007 - 16h28
A estatal boliviana YPFB pagou nesta segunda-feira a primeira das duas parcelas de US$ 56 milhões acordadas com a Petrobras, que vendeu suas duas refinarias no país, disse o presidente da estatal da Bolívia, segundo a agência oficial de notícias ABI.
A retomada das refinarias é um dos passos importantes do processo de nacionalização de hidrocarbonetos iniciado pelo governo de Evo Morales, que incluiu a assinatura de novos contratos com multinacionais que operam no país e um forte aumento de tributos.
O ato de entrega do controle físico das refinarias, programado para segunda-feira, foi adiado para terça-feira, devido à complexidade dos trâmites de transferência de 100% das ações da Petrobras Bolivia Refinación S.A. (PBR), braço de refino da Petrobras Bolivia, disse à ABI o presidente da YPFB, Guillermo Aruquipa.
"Nesta manhã, às 8h30 (horário local), foram depositados os US$ 56 milhões e às 9h30 informamos a Petrobras sobre o depósito", declarou Aruquipa, colocando fim a uma polêmica causada por denúncias da oposição, de que a YPFB não teria dinheiro suficiente para fechar o negócio.
No Brasil, o diretor financeiro da Petrobras, Almir Barbassa, disse que a expectativa é de que a segunda parcela seja paga em 60 dias. Ele informou também que os recursos não devem ser internalizados no Brasil.
"Provavelmente vão direto para a proprietária da Petrobras Bolivia, na Holanda", informou, referindo-se à subsidiária da estatal brasileira Petrobras Nedherlands.
Aruquipa também disse que a YPFB deverá pagar a segunda parcela em um prazo de dois meses, completando o valor de US$ 112 milhões acertado após uma ampla negociação concluída há um mês, com a participação de Evo Morales e de seu colega brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva.
O porta-voz do presidente boliviano, Alex Contreras, afirmou que a retomada das duas relativamente pequenas mas estratégicas refinarias "marcará o nascimento da empresa YPFB Refinación, ligada à YPFB".
As refinarias, uma na cidade de Santa Cruz e outra em Cochabamba, têm capacidade de processamento de 40 mil barris de petróleo por dia, o suficiente para abastecer quase a totalidade do mercado boliviano de carburantes e outros derivados.
As refinarias foram vendidas à Petrobras por US$ 104 milhões durante o processo de privatização que Morales começou a reverter com o decreto de nacionalização de maio de 2006, e que deu o controle ao Estado da produção, industrialização e comercialização de hidrocarbonetos.
Com a nacionalização, a YPFB detém agora quase totalmente uma indústria de hidrocarbonetos focada em negócios de exportação de gás à Argentina e ao Brasil, cuja receita somará este ano um valor de quase US$ 2 bilhões.
O governo de La Paz tem dito que recomprará também nos próximos meses as empresas de produção, armazenamento e transporte de hidrocarbonetos que surgiram com a privatização na década passada.
Essas empresas privatizadas são atualmente controladas por multinacionais como a Repsol-YPF e BP-Amoco, do grupo BP-Panamerican Energy.
 
 
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