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Teste de vacina contra dengue reduz em 56% casos da doença

29 Abr 2014 - 08h51Por Folha

Resultados preliminares dos testes de uma vacina contra a dengue mostraram que ela foi capaz de reduzir em 56% o número de casos da doença. Foi a cobertura mais alta já conseguida nos estudos para a criação de uma imunização contra o vírus.

Embora bem recebido por especialistas, o anúncio também foi acompanhado de um pedido de cautela por parte da comunidade médica.

"É um começo, mas ainda não está bom. Uma vacina precisa ter uma cobertura mais alta do que esses 56%", avaliou Juvencio Furtado, ex-presidente da SBI (Sociedade Brasileira de Infectologia) e professor da Faculdade de Medicina do ABC.

  Editoria de Arte/Folhapress  
 

A Sanofi Pasteur, responsável pela vacina, ainda não divulgou os resultados detalhados do estudo, realizado em crianças entre 2 e 14 anos na Ásia. Os dados ainda não foram publicados em uma revista científica ou apresentados em um congresso da área, mas a empresa diz que fará isso em breve.

Em 2012, em um teste ainda mais preliminar na Tailândia, a vacina da Sanofi falhou na proteção contra o sorotipo 2 da dengue.

No novo estudo, que contou com mais pessoas e uma abrangência geográfica e genética maior, o laboratório ainda não informou se a vacina foi eficaz contra todos os quatro subtipos da dengue em circulação.

"A vacina da dengue tem de ser tudo ou nada: ou protege contra todos os tipos ou é melhor nem fazer", diz o infectologista Artur Timerman.

"Quando uma pessoa é infectada pela dengue, ela fica imune ao tipo que contraiu, mas ainda vulnerável aos outros. Se ela for infectada novamente, o risco de dengue hemorrágica aumenta mais de 15 vezes. Então, se é assim com o contato normal com o vírus, poderia ser também com quem teve contato com a dengue via vacina."

A médica Lucia Bricks, diretora de Saúde Pública da Sanofi Brasil, discorda.

"É uma teoria que até agora nunca aconteceu. Não há qualquer comprovação científica. Além disso, temos muitas pessoas que já foram vacinadas e, até agora, nenhuma delas apresentou reações assim", diz a médica, que ressalta que os voluntários são monitorados por organismos independentes.

Juvencio Furtado também vê poucos indícios de que a proteção parcial poderia agravar os casos.

A diretora da Sanofi diz que o problema no teste da Tailândia foi muito específico. "Era um estudo de fase 2B não desenhado para ver a efetividade." Ela afirma que, no momento do teste, houve um surto inesperado de dengue do tipo 2 naquele país.

Segundo Lucia, a vacina já atingiu seu objetivo principal, que era a proteção contra a doença. "Quando se investiga a proteção, tem de se levar em conta a taxa de infecção das diferentes doenças. A dengue é de altíssima prevalência, concentrada num determinado período e leva todo mundo para o hospital. Reduzir isso em mais de 50% é muito bom", diz.

Os estudos sobre a eficácia da vacina, atualmente na fase 3, continuam. Ao todo, mais de 40 mil voluntários já participaram das diferentes etapas, sendo vários deles do Brasil.
Segundo a Sanofi, ainda neste ano serão divulgados mais detalhes sobre os testes.

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