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LUTO

'Metade de mim foi junto com ela', desabafa mãe de criança morta após várias altas médicas em UPAs

Hannah Julia Romeiro Nolasco faleceu no colo da mãe, após muitas idas a unidades de saúdes de Campo Grande

21 Mai 2026 - 13h18Por Top Midia News

A dor da ausência ainda ecoa em cada canto da casa da pequena Hannah Julia Romeiro Nolasco, de apenas 8 anos. Quase um mês após a morte da menina, a mãe, Sara Romeira, tenta encontrar forças para transformar o luto em luta por justiça.

Muito emocionada, ela lembrou para reportagem quem era a filha além dos corredores das unidades de saúde onde passou seus últimos dias: uma criança alegre, sonhadora e cheia de vida.

“Ela era a alegria da nossa casa, agora está vazia, sem cor. Meu mundo desabou”, desabafou Sara. Segundo a mãe, Hannah gostava de dançar, brincar, fazer estrelinha e sonhava em praticar ginástica. Também adorava pintar e passar o tempo jogando no tablet. “Ela queria ser policial comigo e médica com o pai dela”, contou emocionada.

A menina completaria 9 anos no último dia 13 de maio. Sara já preparava os presentes que a filha tanto queria, uma bicicleta e uma bebê reborn. “Ela tinha aprendido a andar de bicicleta aqui e queria muito uma”, relembrou.

Entre lágrimas, a mãe descreve o vazio deixado pela filha. “Metade de mim foi junto com ela. Procuro ela todos os dias, sinto o cheiro dela, ouço as risadas dela pela casa. É uma coisa que não sei explicar em palavras”, afirmou.

Sara também relembra uma frase repetida diariamente entre as duas. “Eu falava: ‘Te amo de coração, minha querida’. E ela respondia igualzinho. Ela sabia o quanto era amada”, disse.

A mãe acredita que, junto com a filha, também perdeu sonhos. “Naquele dia, naquela UPA, meus sonhos morreram junto com a minha pequena”, lamentou.

Relembre o caso

A morte de Hannah gerou revolta na família, que acusa unidades de saúde de Campo Grande de negligência médica. Segundo os relatos, a menina passou diversas vezes pelo CRS Coophavilla II e pela UPA Leblon sem receber um tratamento considerado adequado pelos pais.

Tudo começou no dia 24 de abril, quando Hannah apresentou febre alta e sintomas gripais. A mãe procurou atendimento no CRS Coophavilla II, onde a menina passou por consulta, fez exame de sangue e recebeu encaminhamento para medicação intravenosa. Porém, devido à lotação no setor de medicação, a família acabou retornando para casa após administrar dipirona com autorização médica.

Nos dias seguintes, Hannah apresentou melhora momentânea, mas voltou a piorar na segunda-feira (27), com tosse intensa e vômitos. Na UPA Leblon, conforme a família, um médico diagnosticou influenza e receitou medicamentos, orientando repouso domiciliar.

Na terça-feira (28), o estado da criança se agravou. Hannah passou a apresentar vômitos constantes, lábios arroxeados, palidez e dores pelo corpo. A mãe retornou à unidade de saúde, onde uma pediatra solicitou novos exames e medicação. Mesmo assim, após o atendimento, a menina foi liberada novamente.

Horas depois, durante a madrugada, a situação ficou ainda mais grave. Sara relata que Hannah reclamava de dores na nuca, braços e pernas, além de não conseguir dormir. Na terceira ida à UPA Leblon, segundo a mãe, a filha já estava extremamente debilitada.

A família afirma que houve demora no atendimento e dificuldade para conseguir medicação e vaga para observação. Em determinado momento, Hannah teria começado a sofrer falta de ar enquanto ainda aguardava atendimento adequado.

“Ela puxou o ar e não achou. Virou o olhinho e endureceu nos meus braços”, relembrou a mãe. A criança foi encaminhada para a emergência já em parada cardiorrespiratória, mas não resistiu.

O caso foi registrado inicialmente como morte natural. A família informou que busca responsabilização sobre o atendimento prestado à menina e já acionou um advogado.

Natural de Corumbá, Hannah morava há cerca de cinco meses em Campo Grande com os pais e a irmã.

A reportagem procurou a Secretaria Municipal de Saúde de Campo Grande para comentar o caso, mas não obteve retorno até a publicação desta matéria. O espaço segue aberto para manifestação.

 

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