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ALERTA EPIDEMIA

Com mais de 6 mil casos, Fátima do Sul em 1º,18 cidades do MS enfrentam epidemia de chikungunya

A doença avança rapidamente pelo Estado, com alta de até 190% no número de casos por 100 mil habitantes

21 Abr 2026 - 13h11Por Midiamax

Com o avanço dos casos, Batayporã, Ladário e Figueirão entraram na lista de municípios em situação de epidemia de chikungunya em Mato Grosso do Sul. Assim, sobe para 18 o número de cidades nessa condição. A doença avança rapidamente pelo Estado, que já soma mais de 6 mil casos prováveis.

Paraíso das Águas registra o avanço mais expressivo no número de casos por 100 mil habitantes, com alta de 190,3% e mais 59 casos prováveis, nos últimos dez dias. Ou seja, a incidência de chikungunya quase triplicou. Em Corumbá, o índice praticamente dobrou, com alta de 91,3% e mais 424 casos prováveis.

Em dez dias, Douradina registra aumento de 86,4% na proporção entre casos e habitantes, enquanto Sete Quedas e Dourados têm crescimento de 75%. No mesmo período, Costa Rica registrou alta de 55%; Amambai, 40,5%; e Selvíria, 33%.

Outras cidades registram aumento mais discreto, como Jardim (10,7%), Guia Lopes da Laguna (8%), Fátima do Sul (8,4%), Angélica (6%) e Vicentina (5%). Apenas Bonito (-1,4%) e Jateí (-15%) registram redução na incidência, entre as cidades com epidemia de chikungunya.

Esses dados estão disponíveis no Painel de Arboviroses do Ministério da Saúde e levam em consideração a comparação com os registros de 10 de abril de 2026, quando Mato Grosso do Sul tinha 4,2 mil casos prováveis e 16 municípios enfrentavam epidemia. Tecnicamente, todas as cidades com incidência superior a 300 casos prováveis por 100 mil habitantes estão em situação epidêmica.

12 mortes em MS

Mato Grosso do Sul ainda lidera todos os números relacionados à chikungunya, em comparação com os outros estados do país.

Com 206,7 casos por 100 mil habitantes, a incidência no Estado é 15 vezes maior que a média nacional, de 13,8. O Estado lidera o ranking de incidência desde o início do ano, seguido de Goiás (109,1), Rondônia (37,2), Minas Gerais (36,5), Mato Grosso (20), Tocantins (15,9) e Rio Grande do Norte (13).

Em todo o Brasil, são 19 mortes confirmadas, 12 apenas em Mato Grosso do Sul — ou seja, 63% das mortes estão concentradas no Estado.

Conforme a SES (Secretaria Estadual de Saúde), apenas uma das vítimas não era parte do grupo de risco: um homem de 55 anos, sem comorbidades. Nove vítimas tinham mais de 60 anos e duas eram bebês. Os óbitos estão concentrados em Dourados (8), Jardim (2), Bonito (1) e Fátima do Sul (1).

Além disso, o Brasil tem 29.386 casos prováveis de chikungunya, sendo 6.046 deles no Estado. Assim, Mato Grosso do Sul representa 20,6% do total nacional de casos prováveis.

Municípios em epidemia:

  1. Fátima do Sul – incidência de 2.548,4 (548 casos prováveis);
  2. Sete Quedas – incidência de 2.102,1 (238 casos prováveis);
  3. Paraíso das Águas – incidência de 1.540,6 (90 casos prováveis);
  4. Jardim – incidência de 1.428,3 (350 casos prováveis);
  5. Douradina – incidência de 1.196 (69 casos prováveis);
  6. Corumbá – incidência de 899,2 (888 casos prováveis);
  7. Amambai – incidência de 847,9 (354 casos prováveis);
  8. Selvíria – incidência de 837,5 (73 casos prováveis);
  9. Vicentina – incidência de 691,8 (45 casos prováveis);
  10. Dourados – incidência de 626,5 (1.654 casos prováveis);
  11. Batayporã – incidência de 539 (59 casos prováveis);
  12. Bonito – incidência de 535,3 (134 casos prováveis);
  13. Guia Lopes da Laguna – incidência de 533,8 (54 casos prováveis);
  14. Costa Rica – incidência de 511,5 (147 casos prováveis);
  15. Ladário – incidência de 392,4 (88 casos prováveis);
  16. Figueirão – incidência de 319,9 (12 casos prováveis);
  17. Angélica – incidência de 318,4 (36 casos prováveis);
  18. Jateí – incidência de 305,9 (11 casos prováveis).

Cidades com alta incidência

O município de Itaporã registra incidência de 269,2 casos por 100 mil habitantes, com 68 casos prováveis. A cidade tinha classificação de epidemia há dez dias, mas a incidência caiu.

Ainda, outros municípios que estão próximos ao limite considerado epidemia são: Aquidauana (incidência de 293,7 e 143 casos prováveis), Iguatemi (265 e 37), Maracaju (253,8 e 122) e Nioaque (269,6 e 36).

Vacinação

A cidade de Itaporã foi a primeira do Estado a iniciar a vacinação contra a chikungunya. O município recebeu 3 mil das 20 mil doses enviadas inicialmente e tem como meta imunizar 21,2% do público-alvo.

A aplicação começou no dia 18 de abril e, nesta fase, é destinada exclusivamente à população de 18 a 59 anos sem comorbidades.

Em Mato Grosso do Sul, foram recebidas 20 mil doses, com total previsto para 46,5 mil. Dessas, 7 mil foram encaminhadas ao núcleo regional de Dourados. A distribuição ocorre de forma fracionada, conforme a capacidade de armazenamento da rede de frio, para garantir a conservação adequada dos imunizantes.

Emergência e calamidade

Além de Dourados, que é o epicentro da epidemia de chikungunya em Mato Grosso do Sul, Jardim e Itaporã também decretaram situação de emergência em saúde pública pelo avanço da doença.

Entre as medidas possibilitadas pelos decretos de situação de emergência em saúde pública, estão compras de insumos e medicamentos sem licitação e contratação temporária e simplificada de agentes de endemias. Em Jardim, o decreto permite até o ingresso forçado em imóveis com focos de Aedes aegypti.

Em Dourados, a epidemia de chikungunya começou na Reserva Indígena e se espalhou para os bairros rapidamente. Considerando esse cenário, a prefeitura editou decreto declarando situação de calamidade em saúde pública devido à gravidade da epidemia e ao colapso da rede de atendimento.

O governo federal também reconheceu a situação de emergência em Dourados por conta do avanço dos casos. A cidade recebeu mais de R$ 27,5 milhões em recursos federais para medidas de contenção do vírus chikungunya. Além disso, a Força Nacional do SUS (Sistema Único de Saúde) atuou por um mês no município.

 

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