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Brasil

Vítima de Realengo não recupera movimento das pernas

6 Mai 2011 - 08h52Por R7

Andréia Monteiro, mãe de Tayane Monteiro, de 13 anos, disse nesta quinta-feira (5) que a filha está traumatizada e muito nervosa, porque, segundo ela, o neurocirurgião que atende a menina disse que ela não voltará mais a andar. Quase um mês após a tragédia de Realengo (zona oeste do Rio), a Secretaria Estadual de Saúde reiterou que há a possibilidade de "limitação motora". A adolescente foi baleada durante o massacre do dia 7 de abril na Escola Municipal Tasso da Silveira, quando 12 jovens morreram e outros 12 ficaram feridos.

Segundo Andréia, Tayane levou dois tiros na barriga, um na cintura e um no braço esquerdo. Ela permanece internada no Hospital Estadual Adão Pereira Nunes (Saracuruna), em Duque de Caxias, na Baixada Fluminense. De acordo com boletim divulgado nesta quinta pela Secretaria Estadual de Saúde, o quadro da menina é estável e ela se recupera bem.

A mãe está revoltada com a atitude do médico e disse que está preocupada com a filha.

- Ela está muito nervosa, porque o neurocirurgião foi lá falar com ela o que não deveria ter falado. Ele praticamente disse à minha filha que ela nunca mais vai andar. E que não adianta nada, que ela pode ir para a China, para Marrocos, que ela pode ir para qualquer lugar, que a resposta de quando ela voltará a andar, ninguém vai ter para dar a ela. Ela me ligou em um desespero tão grande, pedindo minha ajuda, pedindo socorro, que eu fiquei preocupada. Que direito ele tem para falar tudo isso? Ele não é Deus. A última palavra é a de Deus.

Em nota, a secretaria informou que o diretor da unidade, Manoel Moreira, disse que a família da paciente vem sendo informada desde o início da internação da sequela gerada pelos tiros, e que, apesar da transparência com que as informações são passadas, inclusive para a paciente, há uma certa resistência por parte dos parentes em relação aos fatos, o que a secretaria considera normal, por um certo tempo, em casos assim, em que um trauma sofrido pode se reverter em limitação motora.

Ainda segundo a nota, Moreira ressaltou que a paciente passará por outras avaliações e sessões de fisioterapia, para que então possa ser definido o nível de lesão e possíveis sequelas. Ele lembrou também que, além do atendimento por parte do corpo clínico da unidade, a paciente vem sendo acompanhada por psicólogos, fisioterapeutas e passa por terapia ocupacional.

Com relação à alta hospitalar, o diretor informou que até as 11h28 desta quinta, não havia uma data definida, e a paciente ainda será encaminhada para o Into (Instituto Nacional de Traumatologia e Ortopedia), para reavaliação da fratura do braço. 

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