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Brasil

Saiba passo a passo como é realizado o exame de DNA

28 Jul 2004 - 09h24
Os ácidos que compõem a molécula de DNA (ácido desoxirribonucléico) começaram a ser identificados em 1869 pelo bioquímico suíço Friedtich Mieschner. Desde então outros cientistas foram aprimorando as pesquisas até que foi possível chegar ao anúncio do projeto Genoma, em 1990, envolvendo 18 países e fazer o mapeamento dos cerca de 80 mil genes que se calculava existirem no DNA das células do corpo humano.

As moléculas de DNA carregam todas as informações genéticas do indivíduo, que determinam suas características físicas – como a cor dos cabelos e dos olhos – e até as prováveis doenças que desenvolverá ao longo da vida. Estão presentes em todas as células, mas, para a realização do exame de reconhecimento de paternidade, a preferência é pelas moléculas encontradas no sangue.

O primeiro passo para a realização do exame, portanto, é a coleta do material, explica a diretora do Núcleo de Laboratórios da Coordenadoria de Perícias da Polícia Civil, Ceres Ione de Oliveira. Comparecem a mãe, o filho e o suposto pai ao setor de coleta, as amostras são embaladas, lacradas e identificadas na frente das partes, para que não haja dúvidas no procedimento e nem contestação do laudo.

Em seguida, gotas do sangue dos três são derramadas em três círculos de uma palheta, seguindo sempre esta ordem: primeiro a mãe, depois o filho e em terceiro o suposto pai. Com um instrumento que lembra um picotador de papel são retirados pequenos pedaços da parte da palheta embebida no sangue e introduzidos em frascos com reagentes que farão a desproteinização do material. Desse processo vai restar apenas a parte branca do sangue, exatamente onde estão as moléculas de DNA.

Na mistura acrescentam-se outros reagentes, nas cores azul, verde e amarela, e o material é introduzido, então, em um aparelho denominado termociclador. Durante três horas o líquido será aquecido, permitindo que os reagentes façam milhões de cópias das fitas de DNA ali existentes. Quanto mais fitas existirem, mais fácil fica o processo de leitura, que vem em seguida.

Quem faz a leitura das fitas de DNA é um equipamento chamado seqüenciador. No caso do Laboratório da Coordenadoria de Perícias trata-se do modelo ABI Prism 310, considerado um dos mais modernos. Após a mistura de outros reagentes (são oito tipos diferentes desde o início do processo) o material fica por 24 horas no seqüenciador, passando por um fino tubo que, submetido ao raio laser, possibilita a leitura da seqüência dos ácidos (adenina, tinina, guanina e citosina) que se revezam formando a fita de DNA.

Atualmente a leitura é feita em 13 regiões do cromossomo, mas com novos reagentes passará a ser realizada em 15 regiões. O seqüenciador identifica a quantidade de ácidos coincidentes em cada região, no material das três partes. Quando a pessoa for o pai, por exemplo, determinada região de seu cromossomo tem igual quantidade de adenina que a mesma região do cromossomo do filho. O fenômeno se repete em toda a fita de DNA, não restando dúvidas quanto à ligação genética.
 
APN

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