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Brasil

Produtores de Terenos abre mercado da pimenta da agricultura familiar

11 Mar 2010 - 16h40Por Fátima News com Assessoria

Uma venda fechada esta semana entre produtores de Terenos para uma entrega às Centrais de Abastecimento de Mato Grosso do Sul (Ceasa) concretizou mais uma relação comercial fundamentada na agricultura familiar. A partir de agora, oito produtores de pimenta do município vão fornecer semanalmente quatro variedades do condimento para serem distribuídas pela Ceasa: comari, dedo-de-moça, malagueta e bodinho. A comercialização sela mais um passo do projeto Território da Reforma, uma iniciativa da Fundação Educacional para o Desenvolvimento Rural (Funar/MS) que tem por objetivo inserir no mercado os produtos da agricultura familiar.

 

O produtor Nicanor Antônio Ramos lidera esse grupo. Em sua propriedade de 12 hectares, onde trabalha há oito anos, ele produz mel e cultiva produtos da olericultura, que são hortaliças como cebola, batata, cenoura e outros da cultura de hortas. “Fazer parte do Território deu um giro de 180 graus no meu trabalho. Dentro do projeto, conheci o Terrativa, que nos encaminha para a produção de orgânicos e hoje já estou a caminho da certificação desses produtos”, relata Ramos.

 

Para a primeira entrega, os produtores de Terenos mandaram 38 quilos, mas Nicanor já planeja aumentar de 300 para 500 pés de pimenta a sua produção. A dificuldade de muitos produtores é justamente de escoar o que plantam, mas ao menos para o grupo de Terenos isso não será problema. Segundo o comprador das pimentas, Jocimar Gomes França, da distribuidora Estância Chic, o público comprador de pimenta é bom e se a produção aumentar ele vai comprar. “O nosso interesse é manter a parceria com os produtores”, ressalta.

 

Ele também faz uma análise da atuação que o Território tem junto aos agricultores. “Esse é um projeto interessante. Muitas vezes o produtor se preocupa muito em plantar e depois acaba não tendo como vender essa produção”, diz. Nicanor compartilha desta opinião e afirma que antes vendia apenas para o Mercadão. A partir de agora entrega também no Ceasa e já tem mais planos para seu trabalho em Terenos. “A minha idéia é reunir os produtores de pimenta da minha região e montar uma fábrica de conservas, e assim, agregar valor ao produto”, avalia.

 

Outra ação do projeto é a utilização de um selo que especifica para o consumidor que o produto que ele está comprando é da agricultura familiar e faz parte do Território da Reforma. O selo é colado em todos os produtos vendidos. No caso das pimentas, elas são todas colocadas em bandejas e recebem o selo após essa embalagem ter sido colocada.

 

A Estância Chic vende produtos já embalados para supermercados de todo o Estado. Além de Campo Grande, mais 34 municípios do interior compram da empresa. “É interessante ter vários mercados, principalmente porque as pessoas podem conhecer mais produtos e estes são orgânicos. Antes, havia um mito de que o alimento orgânico era feio, hoje a qualidade não perde em nada para o outro. Equilibrando a natureza, ela mesmo se encarrega de eliminar pragas”, considera Nicanor.

 

 

 

Sobre o Território da Reforma

 

O Projeto de Apoio à Produção Sustentável no Território da Reforma tem o objetivo de desenvolver os pequenos negócios rurais, fortalecendo a organização, diversificação e sustentabilidade do agronegócio. Tem como metas aumentar a venda de produtos da agricultura familiar no mercado local, gerar novos postos de trabalho, aumentar a renda dos produtores rurais e diversificar as matrizes econômicas.

 

O Território da Reforma é uma iniciativa da Fundação Educacional para o Desenvolvimento Rural (Funar) e do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), em parceria com o Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar). Desenvolve ações nos municípios de Anastácio, Bela Vista, Bodoquena, Bonito, Dois Irmãos do Buriti, Guia Lopes da Laguna, Jardim, Maracajú, Nioaque, Sidrolândia e Terenos.

 

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