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Brasil

Piloto envolvido com dossiê é interrogado na PF da Capital

8 Nov 2006 - 08h48

O piloto Tito Lívio Ferreira Júnior chegou há pouco à sede da Superintendência da Polícia Federal em Campo Grande para prestar depoimento sobre o dossiê que petistas teriam encomendado contra o candidato tucano José Serra ao governo de São Paulo. Ele, que não quis falar com os jornalistas que estão no local, é interrogado pelo delegado federal Diógenes Curado, que chegou ontem de Cuiabá (MT) especialmente para colher o depoimento dele e do empresário Arlindo Dias Barbosa, dono da empresa MS Táxi Aéreo.

O objetivo é saber quem contratou o vôo que levaria de São Paulo (SP) a Cuiabá (MT), em 15 de setembro deste ano, a quantia de R$ 1,75 milhão para a compra do dossiê Vedoin. O vôo foi abortado porque o dinheiro acabou sendo apreendido pela PF na manhã daquele dia, em poder dos petistas Gedimar Passos e Valdebran Padilha, no Hotel Ibis Congonhas, em São Paulo, quando eles se preparavam para o embarque, sendo que do dinheiro apreendido parte era em dólares - US$ 248,8 mil.

Em depoimento, o empresário Luiz Antônio Vedoin, chefe da máfia das sanguessugas, disse que o dinheiro pelo pagamento do dossiê chegaria até ele num vôo fretado, a fim de evitar os riscos do transporte num avião de carreira. Rastreamento telefônico feito pela PF nos aparelhos usados por petistas acusados de envolvimento na compra do dossiê constatou várias ligações de Valdebran nos dias anteriores à prisão.

Identificou também três ligações do piloto Tito Lívio no dia 13 de setembro e uma no dia 14, sendo que a PF desconfia que eram para ultimar os detalhes do embarque do R$ 1,75 milhão. No depoimento, Vedoin disse que a sua fatia era de R$ 1 milhão. A PF quer saber também para onde iria o restante do dinheiro, qual era o grau de envolvimento da empresa de táxi aéreo no esquema e quanto custaria o frete do avião.

A esperança do delegado Curado é obter alguma pista das peças que faltam para fechar o quebra-cabeça da origem do R$ 1,75 milhão. Já se sabe que uma parcela dos US$ 248,8 mil saiu da casa de câmbio Vicatur, de Nova Iguaçu, no Rio, que usou uma família de laranjas para realizar a operação. São também investigadas as casas de câmbio Confidence, Diskline e Centaurus por suspeita de envolvimento com o caso. A grande dificuldade é identificar a origem dos reais - R$ 1,16 milhão.

A PF acredita que o dinheiro foi levado para os petistas no Hotel Ibis Congonhas pelo ex-assessor da campanha do senador Aloizio Mercadante (PT) ao governo de São Paulo Hamilton Lacerda. Ele foi flagrado pelas câmaras do circuito interno de TV chegando ao hotel com a mala que conteria o dinheiro, no dia 14 de setembro. Na quinta-feira a PF ouvirá novamente Vedoin para esclarecer as últimas dúvidas a respeito do esquema de pagamento de propina a parlamentares na compra de ambulâncias superfaturadas com dinheiro do Orçamento da União e também sobre o balcão de negócios que o empresário teria montado para vender dossiês envolvendo políticos na máfia.

Hélio Filho

A seguir, a PF deve começar a definir os artigos em que serão indiciados os envolvidos no escândalo do dossiê. Dos oito investigados, passíveis de indiciamento, sete estavam ligados à campanha à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Um deles, porém, o deputado Ricardo Berzoini (PT-SP), só pode ser indiciado com autorização do STF (Supremo Tribunal Federal), ouvida a Procuradoria-Geral da República, por ter direito a foro privilegiado.

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