Menu
SADER_FULL
sábado, 13 de agosto de 2022
SADER_FULL
Busca
Brasil

Faltam pediatras em postos e hospitais do país

26 Out 2010 - 06h15Por Folha Online

Pesquisas realizadas pela UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais) confirmam um problema enfrentado por mães e pais que procuram os serviços de saúde do país: a falta de pediatras.

A carência ocorre tanto nos postos de saúde quanto nos hospitais, afetando especialmente as localidades distantes dos grandes centros.

Na atenção primária, quase um quarto (23,1%) dos municípios brasileiros, excluídas as principais regiões metropolitanas, têm carência de pediatras, médicos da família e clínicos gerais.
O cálculo é do Núcleo de Educação em Saúde Coletiva da UFMG.

Para chegar a esse número, os pesquisadores avaliaram, em cada município, o tamanho da população e as taxas de mortalidade infantil e de domicílios pobres.

Os dados foram então confrontados com o número de horas dedicadas pelos médicos das especialidades pesquisadas ao atendimento ambulatorial.

A situação mais grave foi encontrada no Norte e no Nordeste, mas todas as regiões registraram municípios com problemas.

Nos hospitais, que atendem também casos complexos, o problema se repete. Outra pesquisa do mesmo grupo, realizada neste ano com gestores de hospitais públicos e privados de Minas Gerais, constatou que 64,3% deles têm dificuldade para contratar pediatras.

O estudo também revelou que o tempo médio para o preenchimento de uma vaga na pediatria chega a 8,6 meses. No momento da pesquisa, quase metade (46,1%) dos gestores disseram ter algum posto vago.

Foram os piores resultados dentre as 22 especialidades pesquisadas, como anestesiologia e cardiologia.

O pesquisador Sábado Girardi, que coordenou os estudos, diz que os números de Minas confirmam uma tendência nacional.

Em 2008, levantamento semelhante com gestores hospitalares de todo o país mostrou que 43% deles tinham dificuldades de contratar pediatras.

Os principais motivos apontados foram a falta de profissionais titulados no mercado, a insatisfação com a remuneração e a falta de experiência dos candidatos.

PLANO DE CARREIRA

O presidente da SBP (Sociedade Brasileira de Pediatria) diz, porém, que o número de profissionais é adequado. Eduardo Vaz destaca que, hoje, 10% dos médicos do país são pediatras, contra 13,5% em 1996. No período, o número de filhos por família caiu e outras especialidades ganharam importância.

"Se está faltando pediatra no sistema público, e está mesmo, isso não é culpa do pediatra", diz.

Para o presidente do Sindicato dos Médicos do Rio de Janeiro, Jorge Darze, o problema só será resolvido com uma política que fixe os profissionais ao SUS.

Ele defende a criação de uma "carreira pública" para os médicos, que incluiria, como no Judiciário, a exigência de a pessoa começar a trajetória profissional no interior. As contrapartidas seriam salário mais alto e direitos trabalhistas garantidos.

Leia Também

ACIDENTE FATAL
Motociclista de 27 anos bate na traseira de trator e morre em vicinal
TRAGEDIA NA RODOVIA
Sete pessoas morrem e três ficam feridas em acidente entre caminhão e van
AUXILIO POPULAÇÃO
Governo libera empréstimo consignado para beneficiários do Auxílio Brasil
TRAGÉDIA
Carro explode durante abastecimento e amputa pernas de frentista
NOITE DE TERROR
Moradores relatam medo vivido em confronto com oito mortos
ACIDENTE DE TRABALHO FATAL
Trabalhador morre soterrado ao fazer limpeza em silo de grãos
AGRESSÃO NA ESCOLA
Mulher invade escola e espanca aluna a pauladas
COVID NO BRASIL
Covid-19: Brasil ultrapassa o número de 680 mil mortos pela doença
AUXÍLIO BRASIL AUXILIO POPULAÇÃO
Auxílio Brasil de R$ 600 e vale-gás saem hoje para mais um grupo
BRASIL + POBRE
Estudo mostra alta da pobreza em regiões metropolitanas