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Artigo “25 Anos Sem “Dom” Fredis Saldivar”, por Julio Saldivar

28 Out 2009 - 18h10Por Julio Saldivar

25 ANOS SEM “DOM” FREDIS SALDIVAR

 

 

Julio Saldivar*

 

 

Li em algum lugar que quando partem as pessoas que gostamos ficamos entristecidos, mas quando se vai um ser especial, o sentimento que junto com ele se foi uma parte nossa. Que é doloroso dar adeus ás pessoas que gostamos, mas dar adeus ao ser especial pode ser a maior das dores.

 

 

Quem conheceu Fredis Saldivar sabe que ele era um ser especial, e se recorda do tamanho da tristeza, e o amargo sentimento que pairou entre os amigos e, principalmente, sobre toda a família Saldivar, quando da sua partida repentina naquele fatídico dia 10 de Outubro de 1984, depois de um fulminante ataque cardíaco as margens do Rio Apa. Ali se encontrava na companhia de pessoas da sua família e o fiel amigo Dr. Joel Pizzini para mais uma pescaria, um dos seus lazeres preferidos.

 

 

Fredis Saldivar possuía qualidades que dificilmente se percebe em uma só pessoa. A seriedade no trabalho contrastava com seu comportamento descontraído e alegre nos momentos de lazer junto aos amigos e familiares, o que demonstrava que ele sabia como ninguém a importância de seu papel em cada ocasião. Assim, conseguia ser brilhante na sua vida profissional, participativo em atividades sociais, esportivas e comunitárias, construiu em torno de si um grande numero de amigos de todas as classes sociais e, além de tudo isso, era um amável filho, um irmão amigo e grande pai de família.

 

 

Numa época em que ainda não se ouviam as vozes dos experts em Marketing e Qualidade Total, os Irmãos Saldivar (Estevão, Norton, Beto e Nenzo) capitaneados por Fredis, davam um show de profissionalismo na Construção Civil em Dourados. Fredis era um empreendedor nato e os irmãos eram os responsáveis diretos pela execução, controle e qualidade dos serviços. Muitos construtores, pintores, eletricistas, e outros, ainda hoje em atividade na nossa cidade e região, passaram pela escola dos Irmãos Saldivar.

 

 

O Futebol era uma das suas grandes paixões. Um dos fundadores do Operário Esporte Clube de Dourados, clube que, respeitando sempre as demais grandes personalidades que participaram de sua fundação, incorporou-se a historia da Família Saldivar. Não se fala em família Saldivar sem se falar em Operário de Dourados, e vice-versa. Oportuno lembrar que o único fundador hoje em vida, do verdadeiro Operário Esporte Clube de Dourados é o irmão Norton Saldivar.

 

 

Falando do futebol Douradense nesses últimos 25 anos, Fredis Saldivar não deve estar nada satisfeito com o que tem visto lá de cima. Tirando boas participações do Clube Atlético Douradense, clube que substituiu o nosso querido Operário, e foi vice-campeão Estadual em 1984 e 1989, e as excelentes participações do Ubiratan Esporte Clube, campeão nos anos de 1990, 1998 e 1999, e vice-campeão no ano 2000, posteriormente, praticamente uma década depois, não obtivemos mais qualquer conquista. Com a direção de nossas equipes nas mãos de pessoas despreparadas, ou mais preocupadas em defender seus interesses pessoais, geralmente políticos, o que assistimos passivamente foi o fim das equipes profissionais do CAD e do Ubiratan. Assistimos ainda infrutífera tentativa de retorno do Operário, com nova denominação de Operário Atlético Clube, pelas mãos do esforçado Alfio Senatore, e o surgimento com muito “barulho” e nada de resultados da equipe do Sete de Setembro. E vale lembrar ainda a falta de manutenção adequada, que deixou em precária situação o maior patrimônio do futebol Douradense que é o nosso Estádio Frédis Saldivar, o Douradão. Para não dizer que nada há de bom atualmente, sobrou como opção, para o publico Douradense, o futebol amador no nosso velho estádio da LEDA, onde temos assistido boas competições. Frédis com certeza ficaria feliz em participar da festa que foi a final do ultimo campeonato amador e, ainda, a final do campeonato de veteranos entre Saudade EC e a equipe do Inter Flórida, onde se prestou uma justa e linda homenagem a Jamil de Campos Ahum pelo seu brilhante papel na história do futebol Douradense.

 

 

Na política, Fredis Saldivar pouco aparecia, mas tinha participação ativa nos bastidores, aliás, participação de fato mesmo só quando emprestou seu nome para o cargo de vice-prefeito na formação de chapa com o ainda pouco conhecido, mas grande amigo, na época, Braz Mello. Nessa disputa perderam a eleição para o candidato do então prefeito, e também amigo pessoal José Elias Moreira, que havia lançado o nome de Luiz Antonio Alvarez Gonçalves. Tive eu a oportunidade de participar de várias confraternizações promovidas por Fredis Saldivar na Fazenda Delma, de sua propriedade, onde compareciam muitos políticos da época e pessoas influentes da sociedade douradense. Fredis amava esta cidade e, com certeza, se estivesse em vida estaria muito feliz em ver o crescimento e o desenvolvimento da sua, e nossa, Dourados, cidade que ele amava e ajudou a construir.

 

 

Hoje, lá no andar de cima descansa em paz, certo de ter cumprido o papel que lhe foi confiado por Deus em vida. Perto de Deus e ao lado do pai Ranulfo Saldivar, da mãe Joana Velásquez Saldivar, do irmão Estevão Saldivar, e grandes amigos seus que também partiram desta vida, entre outros, dois grandes companheiros: Vitório Fedrizzi e, recentemente, o advogado, escritor e grande desportista Airthon Ferreira Barbosa, dois grandes amigos dos Irmãos Saldivar.

 

 

Dom é um tratamento dado a reis, príncipes e nobres. Fredis Saldivar para sua família e amigos era um pouco de tudo isso. Rei das atitudes positivas e corretas, pois onde colocava as mãos o sucesso e a lisura moral do empreendimento, seja profissional, esportivo ou de cunho social era certo, e nobre nos gestos de companheirismo e amor, principalmente á família. Por tudo isso Fredis Saldivar merece esse carinhoso tratamento.

 

 

Grandes Recordações daquela época... Das reuniões familiares, quando estávamos todos juntos: os Irmãos Saldivar, filhos e primos e, sentados nas suas cadeiras de descanso, acompanhando tudo nossos avós Joana e Ranulpho Saldivar... Das grandes confraternizações ocorridas na Fazenda Delma, próxima a Fátima do Sul, onde participavam família e pessoas de toda a sociedade Douradense... Dos grandes clássicos do futebol entre Operário e Ubiratan no Estádio da LEDA, que levavam ao estádio milhares de pessoas. Depois

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