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Área plantada no país deve recuar até 15% na safra 2006/07

28 Ago 2006 - 10h51

Cercados de dúvidas sobre o tratamento que um eventual segundo governo Lula dispensará ao setor, os produtores de grãos já têm certeza de que a nova safra 2006/07, que começa a ser plantada no próximo mês, será marcada por uma fase de transição, sem uma recuperação significativa das margens de lucro ou recomposição da rentabilidade das lavouras.

A maior parte dos empresários rurais de todos os segmentos reunidos no AgriForum 2006, que terminou ontem na Ilha de Comandatuba, tem decidido por reduzir a área plantada para ganhar fôlego e distanciar-se dos efeitos negativos da forte crise de liquidez provocada por duas safras abaladas por problemas climáticos e descasamento de renda.

As estimativas de recuo na área plantada oscilam entre 10% e 15%, dependendo da cultura e da região produtora. "Nossas vendas caíram entre 10% e 15% por causa da redução da área da soja, principalmente no Centro-Oeste", diz Thomas Britze, diretor executivo da Bayer CropScience, que faturou US$ 600 milhões em 2005.

Embalados pelos sinais ligeiramente positivos dos preços internacionais para a colheita em 2007, os produtores trabalham com um cenário de menor turbulência e maior estabilidade econômica. Mas ainda sem saber ao certo se poderão contar com um eventual socorro do governo em caso de uma recaída.

"O governo já fez sua parte e esperamos que esta safra seja um período de transição rápida para voltar aos tempos de bons lucros", afirma o diretor de Agronegócios do Banco do Brasil, Derci Alcântara. Dado preocupante, porém, é o sinal de que a variação negativa será acompanhada por uma redução do nível tecnológico adotado nas lavouras. "A compra de insumo está atrasada por falta de crédito e garantias para refinanciar dívidas passadas", diz o produtor Eleonor Ogliari, dono de 6 mil hectares em Tangará da Serra (MT).

O diretor da Bayer confirma: "Temos tomado cuidado com aspectos financeiros e o risco de crédito dos produtores. Exigimos garantias reais e apostamos na integração vertical com tradings para operações estruturadas". Para acompanhar mais de perto seus financiados, a empresa alemã descentralizou as operações de São Paulo para Curitiba, Ribeirão Preto e Goiânia.

Entre os fatores para o otimismo moderado no setor contribui a sensível redução dos custos de produção, puxada sobretudo pela queda dos preços de agrotóxicos, sementes e, em menor grau, de fertilizantes. Parte dos produtores elevará as apostas na soja e no algodão, reduzindo as áreas dedicadas ao cultivo do milho de verão, por exemplo. Ogliari reduziu em 20% a área plantada e espera colher 50 sacas por hectare para pagar um custo de US$ 400. "Vendi 15% da safra a US$ 10 [a saca] e reduzi a tecnologia. Sou uma exceção em Mato Grosso porque sobrevivi à crise".

Produtor de 5 mil hectares em Campo Mourão (PR), Getúlio Ferrari Filho reduzirá em 25% a área de milho para produzir soja. Ele baseou sua aposta num recuo da produção de soja nos Estados Unidos, na melhor relação de custos soja-milho e em preços futuros.

"Este ano não está ruim. Mas vai ficar bom mesmo na próxima safra", afirma. Ferrari, que faz parte de um grupo de seis produtores que cultivam 25 mil hectares na região, diz ter gasto 15% menos com insumos. "A [saca de] semente de soja caiu pela metade. Paguei R$ 40". Ele estima colher 55 sacas de soja por hectare a um custo de 25 sacas. Ou seja, um lucro bruto de 30 sacas. "Já travei uma parte a US$ 8 [por saca] na Bolsa de Chicago, mas acho que podemos chegar a US$ 10 até novembro", estima.

As previsões do paranaense coincidem com o colega Gianni Brunetta, do Grupo Itaquerê, que controla 45 mil hectares de soja e algodão em Primavera do Leste e Querência (MT). A família Brunetta focou na redução de custos e aposta num aumento da área de algodão em detrimento da soja. "Vamos deixar uns dez a 12 mil hectares parados ou plantados com sorgo e forrageiras", afirma. A área de soja do grupo cairá pela metade, para 15 mil hectares. No algodão, subirá de 3 mil para 8 mil hectares.

No Paraná, alguns produtores apostam num aumento da rentabilidade do milho. A Copagril, por exemplo, orientou seus 3,7 mil associados a não esquecer da diversificação das lavouras em suas áreas que somam 110 mil hectares. "Vamos manter a área e apostar num retorno mais uniforme", diz o presidente Ricardo Chapla, que cultiva 60 hectares em Marechal Cândido Rondon. "Temos que insistir numa desoneração do óleo diesel, que aumentou mais de 30% desde 2003 e comeu boa parte dos nossos lucros potenciais". Segundo ele, o momento é de "continua pedalando" até passar a turbulência gerada pelo endividamento. "As cotações da soja caíram 43% de 2003 para cá, mas os preços dos insumos recuaram até 50%. Estamos no fio da navalha", resume.

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