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AGÊNCIA BONITO THIAGO
Brasil

Valor do álcool na usina em agosto é o menor em 3 anos

4 Set 2007 - 05h06
O preço médio do álcool combustível vendido pelas usinas paulistas em agosto foi o menor, em valores nominais, em mais de três anos. De acordo com o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), da Esalq/USP, o preço do médio litro do hidratado, utilizado nos veículos a álcool e nos flexfuel, foi de R$ 0,58102 no mês passado. É o valor mais baixo desde julho de 2004, quando ficou em R$ 0,58063.
 
Em valores reais, com a inflação aplicada, o menor preço anterior foi em maio daquele ano, com R$ 0,53729, de acordo com o Cepea. O preço médio do litro do hidratado foi ainda 29,07% mais baixo, em agosto, que os R$ 0,81917 cobrados em média no mesmo período de 2006.
 
Já o preço médio do álcool anidro fechou o mês passado em R$ 0,66558 o litro, o menor valor desde junho de 2004, quando ficou em R$ 0,62886 o litro. O álcool anidro, misturado em 25% à gasolina, teve ainda o preço médio nominal 30,3% menor no mês passado que os R$ 0,9553 cobrados pelo litro, em média, no mês de agosto do ano passado nas unidades produtoras paulistas.
 
Mirian Bacchi, pesquisadora do Cepea, considerou os preços baixos do álcool "bons para a sociedade, mas ruins para produtores (do combustível) e fornecedores (de cana-de-açúcar)". A pesquisadora lembra que o valor do combustível influencia no preço pago ao produtor de cana porque o agricultor é remunerado por meio de um índice do Conselho dos Produtores de Cana-de-açúcar, Açúcar e Álcool do Estado de São Paulo (Consecana), em que o preço do álcool é uma das variáveis.
 
Safra
 
De acordo com dados do Consecana de agosto, no acumulado da safra 2007/2008, o produtor recebeu 34,4% menos pela cana-de-açúcar entregue à indústria paulista para o processamento, em comparação com a safra passada. Mirian explica que é natural uma queda dos preços do álcool durante a safra, quando a oferta está alta. "Mas isso mostra que, apesar de alguns grupos sucroalcooleiros conseguirem estocar o combustível para vendê-lo na entressafra, o setor não tem poder de definir o preço. Não há uma concentração e, sim, uma concorrência muito eficiente", explicou a pesquisadora.
 
Repasse
 
A União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica), que representa o setor produtivo de açúcar e álcool, informou em nota que, historicamente, o preço do combustível ao produtor apresenta quedas variáveis no período da safra (abril a novembro). Segundo a entidade, no acumulado da safra o preço do álcool pago ao produtor registrou queda de 33%. "No entanto, a queda demorou 12 semanas para chegar ao consumidor e o preço do álcool hidratado apenas se tornou competitivo em mais de 95% do mercado consumidor brasileiro a partir da primeira semana de agosto", informa o documento, numa crítica direta à falta de repasse, por parte de distribuidoras e postos de combustíveis, das quedas obtidas nas usinas.
 
 
Estadão

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