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Tostão e Guarany criticam a falta de união entre músicos

10 Ago 2004 - 17h19

O gênero sertanejo foi amplamente enfocado e debatido em palestra realizada pela dupla Tostão e Guarany nessa segunda-feira (9) na Escola Cant'arte Educação Musical, situada à Rua Padre João Crippa, 1.736, Centro. Na ocasião, os palestrantes aproveitaram o momento para discutir, além da música sertaneja, a música regional local e disseram que a expansão dela só não toma proporções gigantescas porque existe uma certa desunião entre os músicos do Estado no sentido de querer caminhar individualmente e não estabelecer parcerias.

Neste contexto, os dois cantores também esclareceram que há exceções. Segundo Guarany, fatos positivos podem ser presenciados com a instalação de escolas de música no Brasil, afinal, as pessoas tem possibilidade de estudar toda a parte teórica da música e saber se realmente têm dom ou não para a música. "Antigamente nós tínhamos de provar que cantávamos. Era na garganta mesmo e não existia essa questão do cantor ter que saber estudar uma partitura e tal (....). Hoje temos faculdades, escolas e isso possibilita que saiam cada vez mais profissionais capacitados. Antes nossa escola era a vida mesmo", diz.

Na palestra direcionada a 15 pessoas, os cantores revelaram que os festivais realizados em outros tempos faziam valer a inserção de músicos bons no mercado fonográfico e simbolizavam a mais legítima expressão de qualidade em termos de composição e melodias. "Hoje em dia a música está banalizada em todos os segmentos.

Antes a música era tratada com maior intensidade e a musicalidade existente nos compositores e cantores era mais aflorada", avalia Tostão. Eles ainda explicam que a música regional feita em Mato Grosso do Sul vende, contudo, não toca nas rádios. "Falta uma maior divulgação de nossas músicas na rádio e acredito que isso faz com que os músicos locais se sintam desvalorizados", explicam os cantores que ainda exemplificam que o último CD da dupla João Haroldo e Betinho vendeu cerca de 60 mil cópias e só não vendeu mais devido a pirataria.

Sobre a pirataria, Guarany comunicou que o Fórum dos Músicos da Região entrou em contato com os vendedores ambulantes e fizeram acordo para que eles não mais vendessem cópias piratas de seus CDs. "Um CD gera um gasto de R$ 18 no mínimo. Nós já vendemos nossos CDs super baratos, ao preço de R$ 10 ou R$ 15. Pirateando, não temos lucro e nosso trabalho de qualidade que está no CD original deixa de ser conferido pelo público", alega.

Influências - Tostão adverte que para ele não existe música sertaneja, mas sim música raiz. O cantor justifica que a música raiz de Mato Grosso do Sul recebefortes influências da cultura dos bolivianos, paraguaios e chilenos. Um gênero muito presente na música raiz sul-mato-grossense é, sem dúvidas, o rasqueado.

A 'palinha' dos cantores ficou por conta das músicas Galopera, Estrada de Chão, Tardes Morenas de Mato Grosso, A Matogrossense, entre outras.

O casal Ceila Rondon e Teodoro Torres não se conteve e arriscou uma dança no meio da sala onde estava sendo realizada a palestra. Ela disse que a palestra foi muito válida e que deu para ampliar seus conhecimentos sobre o gênero sertanejo, ou melhor, raiz.

Para a diretora da Escola, Edineide Dias, a palestra inovou seus conceitos sobre o gênero e também serviu para promover um autoconhecimento entre os músicos e os alunos da Escola e acadêmicos do Curso de Música, além dos participantes de variados segmentos da sociedade e que tinham curiosidade sobre o estilo. "Palestras como estas servem para aprimorar mais nossos conhecimentos musicais", conclui Edineide.

 

 

Fátima News / João Humberto

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