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Relatório: 4,7 mi deixaram a pobreza em 15 anos

30 Ago 2007 - 04h12

O 3º Relatório Nacional de Acompanhamento dos Objetivos de Desenvolvimento do Milênio mostra que 4,7 milhões de brasileiros deixaram a condição de extrema pobreza entre 1990 e 2005. Porém, cerca de 7,5 milhões ainda têm renda domiciliar per capita inferior a um dólar por dia.

As regiões Norte e Nordeste e a zona rural são as mais afetadas pela pobreza e pela fome. No campo estão também os piores índices de educação. Segundo os dados do relatório, em 1990, 8,8% dos brasileiros viviam na pobreza extrema. Em 2005, o percentual caiu para 4,2%, o que representa um resultado superior ao estabelecido pela ONU.

"O Brasil já alcançou a meta de redução da pobreza estabelecida pela ONU, está prestes a universalizar o acesso ao ensino fundamental e, no ritmo atual, deverá atingir a maior parte das metas globais", diz o relatório que será apresentado na tarde desta quarta-feira em cerimônia no Palácio do Planalto.

O relatório mostra que o Plano Real e as atuais políticas sociais do governo, assim como a queda da taxa de juros, colaboraram para alavancar a melhoria da condição social das pessoas. "A taxa de pobreza extrema recuou de maneira expressiva em razão da estabilização monetária de 1994 - entre 1993 e 1995, a queda foi de 3,3 pontos percentuais. Entretanto, a estabilização monetária foi um evento único, incapaz de sustentar essa tendência: depois de cair por quatro anos seguidos, a pobreza extrema voltou a subir em 2001, caiu em 2002 e elevou-se novamente, em 2003. Em 2004 e 2005, porém, a trajetória de queda foi retomada", explica o relatório.

A retomada da redução da pobreza, segundo o documento, foi devida "à política de aumentos reais do salário mínimo", ao "programa de transferência de renda voltado a deficientes e idosos pobres", à "expansão do Programa Bolsa Família". "Esses fatores, e, sobretudo, a redução da taxa de juros, fizeram com que a partir de 2004 o rendimento das famílias voltasse a crescer, acompanhado da diminuição da desigualdade de renda", diz o relatório.

Apesar do avanço, o relatório aponta que ainda há índices muito altos de pobreza no campo. "A pobreza é mais alta na área rural. Em 1990, a proporção de pessoas extremamente pobres nessas regiões era mais que quatro vezes superior à das áreas urbanas. Em 2005, no entanto, a proporção de pessoas residentes nas áreas rurais que viviam na pobreza extrema era 7,9 pontos percentuais superior à verificada nas áreas urbanas. Ou seja, ainda há um longo caminho a ser percorrido até que essas desigualdades sejam eliminadas", diz o relatório.

 

 

Terra

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