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27 de Dezembro de 2004 09h49

Preço baixo desmotiva vendas de algodão no mercado interno

Apesar de quase 60% da safra 2004/05 já ter sido cultivada, os produtores de algodão ainda tem cerca de 15% da produção anterior para ser comercializada. Aliado a isso, as vendas da próxima safra também estão mais lentas. Os preços baixos no mercado internacional e no Brasil estão desestimulando os negócios. Só se desfaz de algodão quem tem compromissos a pagar.

Atualmente, o preço do algodão no mercado interno está em R$ 1,20 a libra-peso, bem abaixo do mínimo de garantia do governo, que é R$ 1,35 por libra-peso. Cerca de 250 mil toneladas da safra passada ainda não foram vendidas. E o ritmo de comercialização do produto que está sendo plantado está pequeno. Segundo João Luiz Pessa, presidente da Associação Matogrossense dos Produtores de Algodão (Ampa), até o momento foram realizados negócios para 200 mil toneladas de pluma, metade do mesmo valor do ano passado. "Os preços atuais não permitem contratos futuros", afirma Pessa. O consultor Miguel Biegai Júnior, da Safras & Mercado, acres-centa que das 230 mil toneladas negociadas para exportação, 180 mil toneladas são de negócios realizados em 2003. "A tendência é que as exportações de algodão diminuam em 2005 devido ao câmbio e aos preços internacionais", conclui Biegai Júnior. Neste ano, o País deve exportar aproximadamente 400 mil toneladas de algodão.

O analista Antônio do Rego Freitas, da Horus Consultoria, acrescenta que, além dos preços internacionais em baixa, internamente os estoques estão elevados, devido a uma produção de 1,27 milhão de toneladas, o que reduz ainda mais os valores pagos. "Os negócios estão parados", avalia Lucílio Alves, pesquisador do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea).

Mesmo com os preços em baixa, a produção deverá se manter semelhante à atual. Segundo o diretor-executivo da Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (Abrapa), Hélio Tolini, as compras para plantio são feitas com antecedência e, naquela época situação do mercado era outra. Ou seja, não houve tempo de redução de plantio. Com os preços em queda, a tendência é de que o governo tenha que intervir no mercado. Na avaliação de Biegai, serão necessários o lançamento de opções para 400 mil toneladas. Pessa acrescenta como pedidos o alongamento das dívidas de investimento e Empréstimos do Governo Federal (EGF) para o carregamento do estoque. O secretário de Política Agrícola do Ministério de Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Ivan Wedekin, diz que o governo está acompanhando atentamente a situação da renda do produto. "Não descartamos nenhuma alternativa de apoio, a qualquer produto, vai depender dos recursos do orçamento", afirma Wedekin.

Tollini teme que, se os preços persistirem em queda, poderá haver redução no plantio da safra 2005/06. "A fraqueza de um significa a dos demais elos da cadeia produtiva", afirma Fernando Pimentel, diretor da Associação Brasileira da Indústria Têxtil (Abit). Por isso, segundo ele, a indústria está preocupada com a situação. Mas ele destaca que, no início do ano, os preços do algodão estavam em alta. Para o próximo ano, a indústria prevê um aumento de consumo de 5% (atualmente são 800 mil toneladas).
 
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