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4 de Setembro de 2004 09h58

Olimpíada traz à tona desmandos do taekwondo

Fora do tatame, o taekwondo brasileiro tem obstáculos mais difíceis do que os adversários nos combates.

Sem dinheiro, visibilidade ou competência administrativa, o esporte deixou, na Olimpíada de Atenas, uma imagem de excelência incompatível com sua realidade.

Viu dois atletas (ou 66,5% da delegação de três integrantes) disputarem o bronze. Mesmo sem pódio (ambos foram derrotados na repescagem), a arte marcial protagonizou alguns dos melhores momentos do Brasil nos Jogos.

O tradicional judô, que livrou-se há pouco tempo de uma dinastia (os Mamede) igualmente questionada nos quesitos probidade e competência, trouxe dois bronzes. Pouco, se comparado ao furor provocado pelo taekwondo.

Diogo Silva e Natália Falavigna, os brasileiros que quase chegaram ao pódio no esporte tão incógnito quanto desprezado, são claros ao analisar o futuro da modalidade do País: falta transparência ao grão-mestre Yong Min Kim, presidente da Confederação Brasileira de Taekwondo (CBTKD) há 17 anos.

"Acho que nem eleições iriam adiantar alguma coisa. Eles simplesmente trocariam um coreano por outro. Existe essa máfia por trás do taekwondo", acusa Silva. A Coréia é a pátria da luta e um centro de referência mundial no treinamento do esporte.

A reclamação básica contra a gestão Kim diz respeito à falta de transparência. "Não sabemos para onde vão as verbas. Nós ouvimos muitas histórias e todo mundo sabe que coisas erradas acontecem lá na confederação", conta Natália.

Kim, que esteve na Grécia durante os Jogos, é difícil de encontrar. Todos os quatro telefones da confederação dão sinal de ocupado 24 horas por dia. No celular do presidente, uma gravação informa que o aparelho foi programado para não receber chamadas. O site da entidade, fisicamente instalada no Rio de Janeiro, está fora do ar, e uma mensagem enviada ao único endereço de e-mail conhecido teve destino previsível: retornou como destinatário inexistente.

"Nós, atletas, não temos informações de quase nada do que acontece lá", reforça Silva. "Os atletas têm que começar a opinar mais, pois quem batalha tem uma visão diferente do que acontece no esporte", reivindica Natália.

A ausência de transparência é notória e tão conhecida do Comitê Olímpico Brasileiro (COB) que a CBTKD perdeu 25% da verba a que teve direito no primeiro ano de vigência da Lei Agnelo-Piva, a disposição que destina 1% da arrecadação anual das loterias oficiais em benefício do esporte brasileiro.

Em 2003, a confederação recebeu R$ 408 mil, valor reduzido para R$ 306 mil neste ano. O assunto é tratado no COB como um tabu: em "off" (longe dos microfones e desde que mantido o anonimato da fonte), a entidade confirma que a CBTKD é umas das grandes caixas-pretas do esporte nacional. Em público, responde com evasivas às reclamações dos atletas.

Apesar disso, Silva e Natália esperam que o comitê possa, a curto prazo, colocar fim ao segredo que cerca a gestão do taekwondo brasileiro. O lutador, por exemplo, não vê outra saída senão a intervenção do COB na entidade.

"Acho que é necessário haver mudanças lá dentro e até mesmo uma troca das pessoas que não estão contribuindo. Espero que o COB tome providências e faça alguma coisa na confederação para colocar ordem lá", exige Natália.

 

Terra Redação

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