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No Brasil, a Aids afeta 4% da população economicamente ativa

8 Out 2004 - 18h00
A epidemia de Aids no Brasil atinge milhares de pessoas em idade de produzir e de se realizar profissionalmente. Pelos cálculos do Ministério do Trabalho, o vírus HIV foi detectado em cerca de 4% da população economicamente ativa. São 220 mil homens e 90 mil mulheres com idades entre 13 e 59 anos.

Esses números podem ser ainda mais preocupantes se for levada em conta a porcentagem de pessoas que ignoram esse diagnóstico. Estimativas do Ministério da Saúde mostram que, a cada 10 brasileiros soropositivos, apenas um esteve em uma unidade de saúde, onde pode fazer o teste, conhecer o resultado e começar o tratamento.

Nesta sexta-feira, Dia Nacional de Prevenção ao HIV/Aids no Local de Trabalho, o ministro da Saúde, Humberto Costa, participou do 2º Seminário do Conselho Empresarial Nacional de Luta Contra a Aids. Criado com o apoio do ministério, o Conselho – formado por 19 empresas - conscientiza as instituições sobre a necessidade de criar programa de prevenção ao HVI/Aids. Outro objetivo é incentivar medidas de combate ao preconceito e proteção aos funcionários portadores do vírus.

Com a intenção de ampliar esse debate para outros fóruns da sociedade, a assessoria jurídica do Ministério da Saúde oferece cursos para organizações não-governamentais (ONGs) que trabalham diretamente com a população soropositiva. A assessoria também encaminha denúncias de discriminação no trabalho para as delegacias regionais espalhadas pelo país.

Uma das mais atuantes nessa área é a delegacia regional de Porto Alegre, que mantêm um núcleo de igualdade no trabalho responsável pelo atendimento de trabalhadores vítimas de preconceito. “Boa parte das pessoas que atendemos enfrentam problemas relacionados a demissões relacionadas com a revelação da soropositividade”, conta a auditora fiscal do trabalho Ana Maria Costa, coordenadora do núcleo. “Temos adotado um procedimento de mediação e alcançado bons resultados. Muitos trabalhadores são reintegrados às empresas.”

Para a coordenadora da organização não-governamental Arco-Íris, Ana Paula Prado, o Brasil ainda precisa avançar muito no estudo da realidade das pessoas com HIV no ambiente de trabalho. "As estatísticas não são tão específicas porque nas notificações não há campo para atividade profissional", conta Ana Paula.

Segundo ela, os empregadores já aceitam implementar medidas de prevenção, mas ainda são resistentes à permanência de soropositivos nas empresas. Pensam que o funcionário infectado pelo vírus HIV gera mais encargos. "O preconceito ainda é muito grande", lamenta a coordenadora da ONG, que atua no apoio e capacitação profissional de brasilienses soropositivos. "É preciso mostrar para os empregadores que, com os anti-retrovirais, a qualidade de vida aumentou. O vírus não impede o exercício da profissão."
 
 
Agência Brasil

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