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30 de Outubro de 2004 07h45

Médicos de Cássia Eller são denunciado por homicídio culposo

Três dias após a divulgação de um parecer apontando erro médico na morte da cantora Cássia Eller, o Ministério Público Estadual do Rio de Janeiro denunciou hoje os médicos Marcus Vinicius Gondomar de Oliveira e Jorge Francisco Castro y Perez por homicídio culposo.

Responsáveis pelo atendimento prestado à cantora no dia 29 de dezembro de 2001, na Casa de Saúde Santa Maria, no bairro de Laranjeiras (zona sul do Rio), Oliveira e Perez foram denunciados à 29ª Vara Criminal pelo promotor Alexandre Themístocles de Vasconcelos, da 1ª Central de Inquéritos do Ministério Público.

Divulgação
Cássia Eller durante ensaio para o show "Acústico MTV"
De acordo com o parecer de duas peritas do Ministério Público, o atendimento dado à Cássia Eller teria sido contra-indicado para eventual uso de álcool ou de qualquer outro tipo de droga.

Para o promotor, a conduta dos médicos contribuiu "para a morte da paciente que, nas circunstâncias era previsível, mas poderia, com o tratamento adequado, ter sido evitada".

O promotor alega ainda que as investigações demonstraram que a "terapêutica aplicada reduziu as chances de melhora de Cássia Eller e a evolução do quadro clínico, que culminou com a sua morte". Segundo o Ministério Público, se a cantora tivesse recebido "tratamento adequado a um quadro clínico de ingestão de álcool e cocaína seu quadro poderia ter sido modificado ou alterado".

Entre as falhas atribuídas aos médicos responsáveis pelo atendimento, o promotor cita o fato de a cantora não ter sido submetida a uma lavagem gástrica para eliminar as substâncias tóxicas, não ter recebido sedativos e ter ingerido substâncias que aceleraram a absorção das drogas que a intoxicavam e que, segundo o parecer, são contra-indicadas para pacientes com parada cardiorrespiratória.

Além disso, a denúncia considera que após a primeira parada cardíaca, os médicos deveriam ter feito diálise ou outro procedimento terapêutico para impedir a progressão do quadro que levou a cantora ao coma e à morte.

Para o promotor, esse conjunto de providências revela "a falta de aptidão para o exercício da profissão de médico".

Parecer

Na última terça-feira, um parecer de duas peritas do Ministério Público Estadual do Rio de Janeiro apontou que a Cássia Eller morreu devido a um erro médico. Os médicos da Casa de Saúde Santa Maria teriam ministrado, segundo a perícia, o medicamento Plasil, o que poderia ter provocado uma parada cardíaca na cantora.

Em entrevista à Folha Online, o professor de Clínica Médica da Unifesp (Universidade Federal de São Paulo), Antonio Carlos Lopes, disse que dificilmente uma ampola de Plasil pode complicar uma intoxicação exógena causada pelo uso de outras drogas ao ponto de levar a uma parada cardíaca.

Para justificar a recusa no arquivamento do processo, o Ministério Público afirmou que o laudo indicava "como causa da morte infarto agudo do miocárdio consecutivo a múltiplas paradas cardiorrespiratórias".

Histórico

A suspeita de erro médico já havia sido negada pela clínica Santa Maria em janeiro de 2002. O laudo divulgado pelo IML (Instituto Médio Legal), no mesmo período, não apontou vestígios de drogas ou álcool no corpo de Eller.

Segundo a perita farmacêutica Eliani Spinelli, citada pela assessoria criminal do Ministério Público na página seis do parecer, "a técnica disponível para exame pericial não tinha sensibilidade para detecção do cocaetileno [combinação da cocaína e álcool] após doses usuais de cocaína e álcool".

De acordo com a perita, doses usuais de pequenas quantidades de cocaína produzem concentração baixa da droga no sangue. À época, diz Spinelli, essa quantidade não era detectada pela técnica de triagem disponível no Instituto Médico Legal Afrânio Peixoto, onde os testes foram feitos.

Eliani Spinelli salienta que "a cocaína desaparece rápido do sangue" e o "o álcool também é eliminado rapidamente".

"Portanto, o exame toxicológico negativo para álcool ou cocaína, no contexto deste caso, não exclui a possibilidade do uso recente dessas substâncias em doses baixas ou do uso de doses maiores em um tempo anterior (durante a noite, por exemplo)", cita o relatório.

Logo após a morte da cantora, o laboratório Aventis Pharma, fabricante do Plasil, fez uma pesquisa em seus arquivos e não encontrou nenhum caso registrado de morte por Plasil injetável no Brasil.

De acordo com o item "interações" da bula do medicamento, álcool, anestésicos, hipnóticos, sedativos, narcóticos e tranqüilizantes potencializam o efeito sedativo.

2001

A cantora Cássia Eller morreu às 19h05 do dia 29 de dezembro de 2001, aos 39 anos, após sofrer três paradas cardíacas na clínica Santa Maria.

Segundo pessoas próximas da cantora, Cássia Eller estava se sentindo mal e reclamando de enjôos. Os sintomas seriam resultado de estresse provocado por excesso de trabalho.

O boletim médico informava que Cássia Rejane Eller chegou à clínica "com quadro de desorientação e agitação, tendo evoluído rapidamente para depressão respiratória e parada cardiorrespiratória".
 
 
Folha Online
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