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Brasil

Igreja celebra 26 anos de pontificado de João Paulo II

16 Out 2004 - 07h33
O papa João Paulo 2o. marcou os 26 anos de seu pontificado neste sábado desafiando os prognósticos médicos e confundindo previsões sobre seu sucessor.

Debilitado pela doença de Parkinson, incapaz de andar e algumas vezes incapaz de falar claramente, o pontífice de 84 anos desaponta, há pelo menos 10 anos, as predições de sua morte iminente.

No sábado à tarde, ele celebraria uma missa no mesmo horário em que foi eleito no dia 16 de outubro de 1978, como o primeiro papa polonês da história e o primeiro pontífice não italiano em 455 anos. Ele também já é o terceiro papa a servir mais tempo no cargo. Somente São Pedro e Pio IX serviram mais tempo -- com mais de 30 anos à frente da Igreja Católica durante os séculos I e XIX, respectivamente.

Um assessor próximo ao papa João Paulo 2o. disse a repórteres recentemente que os jornalistas e críticos que previram erroneamente sua morte durante a última década "ainda irão para o céu"

A dúvida que páira é se o papa ainda realmente executa suas funções. Assessores dizem que sim. Críticos dizem que não.

"Ele ainda está no comando, assinando documentos e nomeando bispos", disse um assessor, que pediu para não ser identificado.

Na sexta-feira, ele recebeu três bispos, um cardeal, um grupo de peregrinos e participou de um concerto de aniversário em sua homenagem realizado pelo coral e a banda do Exército Vermelho da Rússia --algo impensável há quinze anos.

Em seu novo livro sobre João Paulo 2o., o escritor britânico John Cornwell diz que o papa está afastado de reuniões privativas e sugere que o Vaticano tem sido administrado pelos seus assessores.

"Nos últimos seis anos, mais ou menos, gradualmente e sem que o público percebesse, João Paulo está deixando mais e mais da administração da Igreja para os outros", escreve Cornwell.

O papa deixou uma marca conservadora na Igreja nomeando quase todos os cardinais que escolherão seu sucessor, mas os principais candidatos da lista parecem estar desaparecendo.

Em 1994, uma revista de um importante jornal dos Estados Unidos publicou reportagem de capa sobre o declínio do papa e nomeou seis possíveis sucessores. Somente dois desses ainda estão na disputa. Os outros morreram, renunciaram a seus cargos ou completaram 80 anos --a idade limite para um cardeal ser admitido.

Desde os ataques de 11 de setembro e a guerra no Iraque, um requisito importante para o cargo é a habilidade de alcançar o mundo muçulmano.

Outros candidatos mencionados recentemente são o brasileiro Cláudio Hummes, o italiano Dionigi Tettamanzi, o hondurenho Oscar Andrés Rodriguez Maradiaga e o austríaco Christoph Schoenborn.

 

 

Folha Online

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