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Furacão Jeanne deixa mais de 500 mortos no Haiti

21 Set 2004 - 07h01
Autoridades haitianas fizeram um novo balanço e disseram que já passa de 500 o número de mortos no Haiti em decorrência de enchentes e deslizamentos de terra causados pela tempestade tropical Jeanne, novamente convertida em furacão, nesta segunda-feira. A informação é da agência de notícias Reuters.

Mais cedo, a ONU (Organização das Nações Unidas) e autoridades do país haviam anunciado um saldo de 305 mortes. Em função do difícil acesso aos locais atingidos e da falta de linhas telefônicas em muitos desses locais, as autoridades têm encontrado dificuldade de estabelecer um número preciso de vítimas.

De acordo com Elie Cantave, representante do governo da Província de Artibonite, mais de 500 pessoas morreram em Gonaives, no norte do país, a área mais atingida por Jeanne.

Henry Max Thelus, do governo regional, confirmou que 47 pessoas também morreram no noroeste do país e que outras oito mortes foram confirmadas em outros locais.

Furacão

A tempestade, que já havia se convertido em furacão durante o fim de semana, ganhou força e voltou a essa forma com ventos de 136 km/h nesta segunda-feira, de acordo com o CNH (Centro Nacional de Furacões, com sede em Miami).

Segundo as últimas previsões do CNH, o Jeanne estava a 595 km a nordeste da ilha de Great Abaco, nas Bahamas, se dirigindo para nordeste e devendo se deslocar para o leste nesta terça-feira.

Isto faria com que o furacão saísse das Bahamas e poupasse o Estado americano da Flórida, atingido por três furacões nas últimas cinco semanas.

Gonaives

Segundo autoridades, metade da cidade de Gonaives, a mais atingida pela tempestade, permanece submersa.

Enchentes causadas pela tempestade destruíram muitas casas e plantações de cebola, causando grande prejuízo para a região.

Katya Silme, 18, disse que sua mãe e seus seis irmãos tiveram de passar a noite de sábado (18) para domingo (19) em cima de um árvore para escapar da água que invadiu a casa em que viviam.

"Um rio próximo de nossa casa destruiu minha casa completamente, e agora nós não temos nada. Nós não temos nada para comer desde que nossa casa foi inundada", disse Silme.

Primeiro-ministro

O premiê Gerard Latortue declarou hoje três dias de luto nacional.

Latortue visitou neste domingo as áreas mais afetadas pela tempestade, mas sua comitiva não conseguiu chegar a algumas regiões por causa do volume de água que atingiu algumas rodovias locais.

O premiê não soube informar o número preciso de vítimas da tormenta Jeanne. Cerca de 150 pessoas estão desaparecidas.

Enchentes

Um funcionário da OMS (Organização Mundial de Saúde) disse ter visto pessoas conduzindo carroças cheias de corpos próximo à cidade de Gonaives.

As mortes causadas pela tempestade Jeanne ocorrem quatro meses depois que enchentes mataram mais de 3.000 pessoas na fronteira do Haiti com a República Dominicana.

A tempestade tropical Jeanne também matou ao menos sete pessoas na República Dominicana e duas, em Porto Rico.

Karl

Um novo furacão, o Karl, começou a se formar no oceano Atlântico, segundo informações dos institutos de meteorologia norte-americanos.

De acordo com os meteorologistas, o Karl está se formando a cerca de 2.000 km ao leste de Cabo Verde. O trajeto dele deve ser a região nordeste do Atlântico, apesar de ainda estar longe da terra.

O furacão Karl é o quinto a se formar no que os meteorologistas chamam de "temporada dos furacões", que vai de junho a novembro, especialmente na região do Caribe.

Ivan

O furacão Ivan --agora uma tempestade-- começou a se dissipar, após deixar mais de cem mortos no Caribe e nos EUA. A tormenta durou cerca de 12 dias e deixou um rastro de destruição.

De acordo com meteorologistas do Centro Nacional de Furacões de Miami, nos EUA, a tempestade, que avança pelo oceano Atlântico, está mais fraca e não oferece risco de voltar a áreas já atingidas.

Nas últimas cinco semanas, a região do Caribe e o Estado da Flórida, nos EUA, foram atingidos por três grandes furacões --Charley, Frances e Ivan.
 
 
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