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EUA endurecem recomendações contra o colesterol

14 Jul 2004 - 16h18
As autoridades médicas norte-americanas tornaram mais rígidas as recomendações contra o colesterol, o que deve trazer um impacto sobre o número de pessoas que tomam medicamentos para evitar as doenças cardíacas.

As mudanças nas recomendações afetam particularmente os pacientes com risco muito alto de acidente cardiovascular, cujo valor máximo de colesterol ruim deveria ser inferior a 70 (mg/dl), em vez dos 100 tolerados pelos médicos atualmente.

Para alcançar este objetivo, é preciso reforçar o tratamento dos pacientes já afetados por uma doença cardíaca, com risco de acidente vascular cerebral ou hipertensão, segundo a versão revisada do guia de tratamento do colesterol, publicada pela revista "Circulation" desta semana.

"O menor é o melhor para as pessoas de alto risco: essa é a mensagem para o colesterol ruim segundo os últimos estudos", afirma o médico Scott Grundy, da Associação do Coração dos Estados Unidos --integrante do Programa Nacional de Educação sobre o Colesterol do Instituto Nacional de Saúde--, responsável pela revisão das recomendações.

Para os pacientes que possuem risco médio de acidente cardíaco, os médicos terão que planejar um tratamento para que o nível de colesterol ruim fique abaixo da barreira de 100, em vez dos 130 atuais, explicam os especialistas.

O endurecimento das normas médicas é uma conseqüência dos resultados de cinco estudos clínicos que mostram que os níveis de colesterol tolerados atualmente pelos médicos não são suficientes para minimizar os riscos de acidente cardíaco.

"Estes estudos mostram um vínculo direto entre níveis menores de colesterol ruim e um risco reduzido de problemas coronários maiores. Por isso, é importante planejar um tratamento mais intensivo para as pessoas de alto risco", disse a médica Barbara Alving, diretora do Instituto Nacional do Coração, Pulmão e Sangue, ligado ao Instituto Nacional de Saúde.

Os Estados Unidos têm quase 30 milhões de pessoas com doenças do coração. Dois terços dos pacientes com alto risco de acidente cardíaco já seguem tratamento à base de remédios contra o colesterol. As mudanças devem aumentar consideravelmente o número de pessoas sob tratamento.

Além disso, as doses de medicamentos consumidas pelos pacientes já em tratamento devem ser intensificadas para reduzir os níveis de colesterol ruim.

No entanto, a ingestão de medicamentos para reduzir o colesterol deve ser acompanhada de mudanças no estilo de vida da pessoa, destacaram os responsáveis pelas recomendações.

"A idéia de que é possível tomar medicamentos anti-colesterol sem mudar o modo de vida é falsa", declarou Grundy. "Estas mudanças [exercícios e alimentação balanceada] representam enormes benefícios, além da redução do colesterol."
 
Folha Online

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