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Dólar fecha em baixa e recupera parte da alta acumulada no mês

13 Ago 2007 - 16h41

O dólar fechou em queda nesta segunda-feira, recuperando parte da alta acumulada no mês, influenciado pelo fluxo cambial positivo, que prevaleceu em meio à situação mais amena no cenário externo.

A moeda norte-americana recuou 0,46% e fechou cotada a R$ 1,943. Em agosto, o dólar ainda registra alta de 3,19%.

A segunda-feira não repetiu a tensão vista no final da semana passada nos mercados internacionais. A atuação de vários bancos centrais para garantir liquidez ao sistema financeiro conteve mais uma vez o nervosismo dos investidores, que mantiveram a cautela à espera de notícias sobre o setor de crédito imobiliário de alto risco - epicentro da turbulência.

"A ação dos BCs mundiais acabou sendo providencial. Deu uma amenizada no mercado e colocou no sistema uma garantia de liquidez", disse Júlio César Vogeler, operador de câmbio da corretora Didier Levy.

Com isso, a contínua entrada de dólares no País, engrossada pelo saldo positivo da balança comercial, determinou a queda da moeda norte-americana desde o começo da sessão. "Prevaleceu o fluxo positivo", comentou Vogeler.

Nos últimos dias, a agitação nos mercados internacionais havia pressionado o dólar para cima no Brasil. Segundo Sidnei Moura Nehme, diretor-executivo da NGO Corretora, o mercado de câmbio havia sofrido a influência de três fatores pontuais e com fundo "psicológico": empresas interessadas em liquidar passivos em dólares, estrangeiros com necessidade de cobrir posições no exterior e a desmontagem de algumas operações no mercado futuro que apostavam na queda do dólar.

Vogeler, porém, reforçou que a reação do dólar não ocorreu devido a aspectos da economia brasileira, e sim em repercussão à turbulência no exterior. "Isso não é privilégio do Brasil, isso é do mercado global".

A percepção de analistas, inclusive, é a de que o atual momento pode representar apenas uma correção para os mercados financeiros, com efeitos limitados no longo prazo. De acordo com a Tendências Consultoria Econômica, "não há como falar em crise, catástrofe ou desastre quando os fundamentos da economia global apontam para setores - e países - ainda robustos, demanda em patamares elevados e regimes prudenciais muito mais avançados".

O próprio mercado avalia, por enquanto, que o dólar mantém a tendência de queda no Brasil. De acordo com pesquisa semanal realizada pelo Banco Central, o mercado reduziu a projeção para o dólar no final deste ano, de R$ 1,87 para R$ 1,85. Para o encerramento de 2008, a estimativa foi mantida em R$ 1,95.

"Mas eu acho que o sinal amarelo ainda está bem aceso, o mercado vai ficar atento... Vamos ficar à mercê dos desdobramentos (no cenário externo)", ressalvou Vogeler.

No final da sessão, o BC realizou um leilão de compra de dólares no mercado à vista. A autoridade monetária definiu corte a R$ 1,9435 e aceitou, segundo operadores, ao menos 13 propostas.

 

 

Invertia

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