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Brasil

Coreanos podem investir na ferrovia e agroindústria de MS

28 Set 2004 - 01h01
Missão de parlamentares e empresários da Coréia do Sul visitará Mato Grosso do Sul em outubro para conhecer projetos nos setores de infra-estrutura, indústrias de base e de alimentos, dos quais podem vir a ser parceiros investidores. O interesse dos coreanos está direcionado a três projetos: a restauração da estrada-de-ferro ligando o porto de Santos (SP) a Corumbá (MS), viabilizando desta forma o tráfego na primeira rota ferroviária bi-oceânica da América do Sul; o parque agroindustrial de São Gabriel do Oeste e os pólos mínero-siderúrgico e gás-químico de Corumbá.

A missão vai permanecer 12 dias no Brasil, de 6 a 17 de outubro, e percorrerá outros três Estados: São Paulo, Rio de Janeiro e Paraná. Será chefiada pelo deputado Song Young Gil, presidente da Comissão Parlamentar de Economia e Finanças do Congresso Sul-Coreano e integrada pelos deputados Choi Kyu Sung, Woo Won Sik e Lim Jong Seok, empresário da área de consultoria Han Dong Gun, auditor do Instituto de Pesquisas Ambientais daquele país, Choe Min Hwa e o consultor do Congresso, Moon Deok Yoon.

No Mato Grosso do Sul os sul-coreanos estarão nos dias 13 e 14 de outubro. O primeiro compromisso é em São Gabriel do Oeste, onde empresários daquele país implantarão um complexo industrial para produção de alimentos a base de soja. O investimento é estimado em US$ 30 milhões e a pedra fundamental da indústria central de esmagamento de grãos será lançada no dia 21 de outubro, segundo informou a assessoria do prefeito Adão Rolim.

Saída para Pacífico – Está agendada também uma audiência com o governador Zeca do PT, na qual os sul-coreanos conhecerão detalhes dos projetos da rota bi-oceânica e dos pólos de Corumbá. “É um resultado direto da ação política do governador e um evento muito importante para o Estado e o país, que nesse momento busca parcerias com a iniciativa privada para dar suporte ao crescimento econômico”, avaliou o secretário de Produção e Turismo, José Antônio Felício.

A saída para o Oceano Pacífico fará encurtar em cerca de 7 mil quilômetros a distância entre os centros produtores do Brasil e o mercado consumidor asiático, daí o interesse mútuo por sua concretização. Atualmente a rota de transporte marítimo mais curta entre Brasil e Ásia é feita circundando o litoral nordestino, o norte da América do Sul e atravessando o Canal do Panamá, para então desembocar no Oceano Pacífico. A rota ferroviária bi-oceânica vai baratear o custo do transporte e tornar os produtos brasileiros mais competitivos no mercado internacional, defende o governador.

No Paraná, o alvo dos sul-coreanos é o porto de Paranaguá, que tem enormes carências de logística dificultando e encarecendo o transporte de grãos e minérios. No Rio de Janeiro a parceria almejada é nas áreas naval e petrolífera, com a construção de navios e plataformas para extração de petróleo em alto mar e terra firme. Estão sendo estudados também investimentos nos portos de Sepetiba (RJ) e São Luis (MA). A vinda da missão sul-coreana ao país está sendo intermediada pelo grupo Kaisen, trading internacional com escritórios em Seul e Pequim, capitais da Coréia do Sul e da China, e na cidade de Niterói, no Rio de Janeiro.
 
APn

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