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Brasil

Caso Dorothy: fazendeiro é condenado a 30 anos

15 Mai 2007 - 17h09
Terminou por volta das 16h55 desta terça-feira a sessão do julgamento do fazendeiro Vitalmiro Bastos de Moura, conhecido como Bida. Ele foi condenado a 30 anos de reclusão em regime fechado sob a acusação de ser o mandante do assassinato da missionária americana Dorothy Mae Stang, na época com 73 anos, ocorrido no município de Anapu, no oeste do Pará, em fevereiro de 2005. O caso ganhou repercussão mundial e o julgamento foi acompanhado pela imprensa nacional e internacional, além de organizações ligadas à terra e direitos humanos.

O juiz Raimundo Moisés Flexa, da 2ª Vara Penal de Belém, negou ainda o direito do réu recorrer em liberdade. O fazendeiro foi condenado por homicídio duplamente qualificado, em virtude da vítima ser idosa e não ter tido qualquer chance de defesa. O Flexa condenou Moura à pena de 29 anos de reclusão pelo homicídio e mais um ano de agravante.
 
O julgamento do fazendeiro foi considerado um dos mais importantes ocorridos no Pará. De acordo com um relatório da Comissão Pastoral da Terra, 772 pessoas foram mortas no campo no Pará nos últimos 33 anos. Desses crimes, apenas 3 mandantes foram a julgamento até hoje. "Mas nenhum deles está preso", denuncia um dos coordenadores do Comitê Dorothy, Lucinei Vieira. A sessão começou por volta das oito horas da manhã de ontem no Tribunal do júri de Belém, sendo encerrada no final da noite de ontem e retornando hoje pela manhã com os debates.
No primeiro dia do julgamento, ao ser interrogado pelo juiz, o réu negou ter encomendando a morte da freira. "Não participei de crime algum, nem conhecia a missionária", disse o réu ao juiz.
O fazendeiro também foi questionado sobre sua relação com o intermediário do crime, Amair Feijoli da Cunha, o "Tato", condenado por intermediar o crime e também negou ter encomendado a morte da missionária. "Eu não tinha nenhuma relação de amizade com ele, só comercial. Comprei uma fazenda dele em Anapu", revelou o fazendeiro.
Centenas de agricultores vindos do interior do Pará e de estados vizinhos acompanharam o julgamento do lado de fora do Tribunal em um acampamento montado na manhã da segunda-feira(14). Segundo o Comitê Dorothy, Ong criada 3 meses após o assassinato da missionária, cerca de 900 agricultores particicparam dos protestos.
Hoje eles fizeram uma caminhada para cobrar justiça no caso. Com faixas e cartazes eles protestaram contra os crimes no campo. "Queremos justiça", disse a irmã Nazaré Patrício, do Comitê Dorothy Stang, que organiza as manifestações por ocasião do julgamento. O comitê denunciou também o descaso da Justiça com o caso. "Na época do crime três procuradores tomavam conta do caso e hoje apenas um. Porque?", denunciou a freira.
Desde o começo a expectativa do movimento era pela condenação do réu. "Não tínhamos dúvida da condenação dele. Ainda acreditamos na justiça dos homens", disse a irmã.
Bida foi o quarto mandante de crimes no campo julgado no Pará em 33 anos, sendo o primeiro mandante do assassinato da missionária a ser julgado. O outro acusado de encomendar a morte de Stang, Regivaldo Pereira Galvão, conhecido como "Taradão", aguarda resultado de recursos para definição da sessão do júri.
Outros três acusados do crime já foram condenados. Foram eles: Rayfran das Neves Sales, o "Fogoió", e Clodoaldo Carlos Batista, o "Eduardo", julgados em dezembro de 2005 e condenados a 27 anos e 17 anos de reclusão, respectivamente, como os executores da missionária; e Amair Feijoli da Cunha, o "Tato", que foi condenado a 27 anos de prisão como intermediário do crime, mas teve a pena reduzida por colaborar com o processo.
Os condenados no processo serviram de testemunhas de defesa e inocentaram o fazendeiro, contradizendo depoimentos anteriores deles no processo.
A missionária americana foi morta com 6 tiros no dia 12 de fevereiro de 2005 no município de Anapu, no oeste do Pará. Ela pertencia à congregação de Norte Dame e desenvolvia um projeto social com trabalhadores rurais no Projeto de Desenvolvimento Sustentável Esperança. Stang ficou conhecida pelos trabalhos em defesa da Amazônia e pela justiça social. Para executar a freira, os dois pistoleiros receberiam a quantia de R$ 50 mil.
 
 
 
Terra Redação

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