Menu
FARMÁCIA_CENTROFARMA_FULL
sexta, 19 de julho de 2019
LIMIT ACADEMIA
Busca
ÁGUAS DE BONITO
Brasil

Brasil deve conter gastos e restringir bancos públicos, diz FMI

19 Out 2010 - 18h04Por BBC Brasil

O Brasil deve desacelerar a expansão do gasto público e restringir as operações parafiscais (que não aparecem no orçamento) dos bancos públicos, diz um relatório publicado nesta terça-feira pelo Fundo Monetário Internacional (FMI). Segundo o documento Perspectivas Econômicas das Américas, o Brasil e outros países latino-americanos que apresentam crescimento vigoroso - com grandes fluxos de capital estrangeiro - devem estar atentos para os riscos de superaquecimento da economia, inflação e deterioração das contas externas.


O Fundo recomenda que, nesses países, "a normalização da política fiscal seja a primeira linha de defesa, com ênfase em desacelerar a expansão do gasto público". "No caso do Brasil, a restrição do gasto deverá ser acompanhada de uma diminuição das operações parafiscais dos bancos públicos (o que, por sua vez, permitirá corrigir as distorções do canal de crédito que reduzem a eficácia da política monetária)", diz o texto.


Críticos no Brasil afirmam que os aportes ao BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) podem desequilibrar as contas públicas e que o Tesouro está aumentando a dívida pública ao destinar recursos ao banco.


Política monetária
A combinação entre política fiscal e monetária a ser adotada pelo próximo governo brasileiro, que assumirá o poder em janeiro de 2011, é motivo de preocupação por parte de analistas. Muitos afirmam que uma política fiscal mais rígida, com menor expansão do gasto público, reduziria a pressão sobre a política monetária (taxa de juros) e, consequentemente, diminuiria o fluxo de capital externo na economia brasileira e a valorização do real frente ao dólar, que prejudica exportadores nacionais.



De acordo com o Fundo, a retirada do estímulo fiscal deve preceder a retirada do estímulo monetário. "Isso permitiria que a política monetária desempenhe um papel secundário, em que as taxas de juros regressem a níveis neutros de maneira mais gradual do que seria necessário em outros casos", diz o relatório.


A taxa básica de juros no Brasil é de 10,75% ao ano, uma das mais altas do mundo, o que serve de atrativo para investidores estrangeiros, em um momento em que economias avançadas, como a americana, mantêm suas taxas de juros próximas de zero.


Capital estrangeiro
A entrada excessiva de capital estrangeiro preocupa o governo brasileiro, que já tomou medidas para restringir esse fluxo, como o recente aumento da alíquota do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) para aplicações de estrangeiros no mercado de renda fixa.



Outras economias latino-americanas enfrentam o mesmo problema, resultado da recuperação mais rápida e vigorosa da região do que o verificado nos países avançados, que ainda lutam para superar os efeitos da crise econômica mundial, entre eles baixa demanda interna e altas taxas de desemprego.


"Em um contexto de abundante liquidez mundial, o capital segue fluindo para os países da região que gozam de maior grau de integração nos mercados financeiros. Os fluxos em carteira seguem predominando, enquanto o endividamento privado externo parece estar ressurgindo, principalmente no Brasil", afirma o FMI.


O relatório diz ainda que o aumento das importações, resultante do crescimento da demanda interna, deteriorou os saldos em conta corrente de alguns países latino-americanos. "Como resultado dessas tendências, o câmbio segue se fortalecendo, chegando a superar os níveis de antes da crise, sendo Brasil, Colômbia e Uruguai os países que experimentaram maior apreciação desde o final de 2009", diz o texto.


"Para muitos países da América do Sul, que recentemente experimentaram um crescimento superior ao previsto, os desafios da política econômica se concentram em evitar um estímulo excessivo da demanda e do crédito, que poderiam chegar a níveis insustentáveis", afirma o documento.


O Fundo mantém sua previsão de crescimento para a economia brasileira em 7,5% neste ano e em 4,1% em 2011. Para a América Latina e o Caribe como um todo, a projeção é de 5,7% em 2010 e 4% no próximo ano.


Mercosul
O relatório também analisa o impacto das importações brasileiras sobre os países do Mercosul (Argentina, Paraguai e Uruguai) e afirma que o crescimento do PIB nessas economias é fortemente influenciado pela demanda interna brasileira.



O FMI afirma que, se por um lado os produtos originários do Mercosul representam apenas entre 10% e 12% do total importado pelo Brasil, o mercado brasileiro é chave para esses países e absorve 25% das exportações totais do bloco.


"Estimativas sugerem que um aumento de 10% no crescimento do PIB do Brasil elevaria o crescimento argentino em 3%", diz o documento. "Um aumento de 10% nas importações de bens de capital por parte do Brasil pode puxar o crescimento na Argentina em aproximadamente um ponto percentual em uma base anual", diz o texto. De acordo com o FMI, efeitos semelhantes são verificados no Paraguai e no Uruguai.

Deixe seu Comentário

Leia Também

POLITICA
'Falar que passa-se fome no Brasil é uma grande mentira', afirma Bolsonaro
NOVELA GLOBAL
Maria da Paz se recusa a enxergar caráter de Josiane em 'A dona do pedaço'
REGIME SEMIABERTO
Goleiro Bruno deve sair da cadeia no fim da tarde desta sexta-feira
CASO RARO
Bezerro de seis patas chama atenção moradores de Santa Helena – Veja Vídeo
MONSTRUOSIDADE
Vizinho é preso suspeito de estuprar e estrangular menina de 8 anos
CASA PRÓPRIA
Recurso de R$ 1 bilhão é destinado ao Minha Casa, Minha Vida
VIDA SAUDÁVEL
Homem mais velho do Brasil falece no Rio de Janeiro
BASTA DE IMPRUDÊNCIA
Enlutada pelas mortes, população deixa faixa contra imprudência na PR-082
VIOLENCIA
Motorista atropela manifestantes do MST e mata um idoso
ATENTADO
Saiba quem é a mulher que empurrou padre Marcelo Rossi do palco