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BNDES pode financiar produção de remédios contra Aids

4 Ago 2004 - 07h45
O novo diretor do Programa Nacional de DST/Aids, Pedro Chequer, revelou hoje, que teve início há uma semana uma negociação com o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) para a criação de uma linha de financiamento voltada para laboratórios interessados em produzir remédios contra aids.

“Os números da parceira ainda não estão definidos. Mas os laboratórios estatais terão prioridade nesse financiamento”, informou Chequer, empossado hoje pelo ministro da Saúde, Humberto Costa. “Essa parceira também pode ajudar na retomada do projeto para a construção de uma fábrica de preservativos no Acre”, revelou.

Médico especialista em saúde pública e dermatologia sanitária, Pedro Chequer aposta na regionalização do tratamento, na intensificação das avaliações de qualidade e na integração do programa à rede do Sistema Único de Saúde.

“Como disse o Granjeiro (Alexandre Grangeiro, ex-diretor), quem vem tem que dizer a que veio. E é isso que vou fazer”, disse Chequer, pouco antes de iniciar o discurso de posse. “Eu não vou tratar a aids apenas como um problema de saúde, mas com uma abordagem multidisciplinar que envolva setores como o econômico, o social e até as Forças Armadas”, afirmou.

Em relação às parcerias com a sociedade civil, o novo diretor pretende incentivar a função propositiva e crítica das Ongs. Mas também planeja reduzir o papel executor de algumas entidades. “Na minha gestão, a sociedade civil não vai ser um apêndice do programa”, disse.

Parceira com a Igreja

Não é a primeira vez que Chequer coordena o Programa Nacional de DST/Aids. Em 1996, ele assumiu o cargo no lugar da médica Lair Guerra, principal idealizadora do projeto na década de 80. Em 2000 Chequer deixou o programa para assumir o posto de representante da Unaids (órgão da ONU para o controle da aids no mundo) no Cone Sul. Nos anos seguintes, as mesmas funções foram desempenhadas na Rússia e em Moçambique. Há um mês, ele voltou ao Brasil para dirigir o escritório da Unaids no país.

Da experiência no mundo, Pedro Chequer pretende trazer para o Brasil a implementação dos testes rápidos e o diálogo com a Igreja. “Países como Rússia e Argentina tem uma sociedade bem conservadora e uma Igreja influente. Acho isso positivo. Podemos estabelecer alianças, respeitando a especificidade de cada um”, acredita Chequer.

Sobre a aplicação dos princípios de abstinência sexual, o diretor faz uma ressalva: “O papel do estado é a promoção dos métodos científicos. Temos, sim, que ampliar o acesso ao preservativo, até mesmo nas escolas”.

Em relação às denúncias de falta de camisinha, Chequer diz que os processos de compra estão em andamento e os estoques necessários serão retomados em breve. “A partir de amanhã vamos distribuir um lote de 500 mil preservativos. Estamos providenciando a compra de 400 milhões de unidades. Outras 10 milhões já estão no porto de Santos aguardando que alguns detalhes sejam resolvidos”, informou o médico.

Outro problema a ser enfrentado pelo novo diretor do programa está no prazo para a demissão de funcionários contratados por de organismos internacionais. De acordo com Chequer, o assunto está sendo tratado por todas as instâncias do governo federal e a solução recomendada será seguida. Até o final de 2005, todos os funcionários devem ser substituídos por servidores concursados.
 
Agência Brasil

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