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Saúde

MS conquista três Institutos de Ciência com foco na biotecnologia e produção sustentável

3 Jul 2025 - 07h00Por nrodrigues

Mato Grosso do Sul passa a integrar de forma ainda mais expressiva o cenário nacional de ciência e inovação com a aprovação de três Institutos Nacionais de Ciência e Tecnologia (INCTs) em chamada promovida pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), com resultado final divulgado esta semana.

As propostas coordenadas pela Embrapa Gado de Corte, pela Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul (UEMS) e Universidade Católica Dom Bosco (UCDB) terão impacto na ampliação da competitividade e sustentabilidade do agro brasileiro.  

Juntos os INCTs receberão R$ 40 milhões de reais em investimentos para coordenar grandes grupos de pesquisa. A parceria oficializada com o governo estadual prevê R$27,519 milhões do Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (FNDCT), principal fundo de fomento à ciência do país, vinculado ao MCTI. Outros R$11,433 milhões virão por meio da Fundect e R$ 685,9 mil da Capes (Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior).

“A ampliação da proposta do INCT Bioinspr/UCDB e a aprovação inédita dos INCTs da Embrapa Gado de Corte e da UEMS no programa refletem a excelência científica local e alinham-se às estratégias de desenvolvimento sustentável e tecnológico do Estado” - Márcio de Araújo Pereira, diretor-presidente da Fundect.

“O apoio da Fundect aos novos INCTs fortalece a base científica do estado e estimula a geração de soluções inovadoras com alto potencial de transferência tecnológica, sobretudo em setores estratégicos como o agronegócio e a cadeia da proteína animal”, afirma Nalvo Franco, diretor-científico da fundação.

A iniciativa integra o Programa Institutos Nacionais de Ciência e Tecnologia, concebido para fomentar redes colaborativas de pesquisa com alto impacto científico, tecnológico e social. A edição atual da chamada priorizou áreas estratégicas como biotecnologia, inteligência artificial, mudanças climáticas, saúde pública e desenvolvimento sustentável – e os dois projetos sul-mato-grossenses estão diretamente inseridos nessas temáticas.

INCT Bioinspir: Biotecnologia e inovação inspirada na natureza

Coordenado pelo professor Octávio Luiz Franco, o INCT Bioinspir amplia sua atuação, anteriormente voltada à área da saúde, para desenvolver moléculas bioativas com aplicação no agronegócio. O projeto, que já havia captado R$ 4,9 milhões em edital anterior da Fundect, agora passa a atuar diretamente no controle biológico de pragas, fungos e bactérias em plantas.

“Expandimos nossa atuação para o setor agrícola, após amplo diálogo com o setor produtivo e o governo estadual, que enxergam no agro uma das principais vocações econômicas de Mato Grosso do Sul” - Octavio Luiz Franco.

O pesquisador afirma que um dos diferenciais da nova etapa do Bioinspir é o uso de plataformas baseadas em inteligência artificial, voltadas à aceleração do desenvolvimento de peptídeos e compostos inovadores, com potencial de gerar novos produtos no mercado. 

O Bioinspir é composto por uma rede robusta, com mais de 15 instituições nacionais e 24 internacionais. Entre os parceiros estão universidades e empresas de tecnologia de diversos países, além de grandes indústrias e startups brasileiras. Além da sede física na UCDB, o instituto opera de forma descentralizada, em modelo de laboratório em rede. As amostras e os pesquisadores circulam entre os parceiros internacionais, otimizando tempo e recursos. 

INCT Gado de Corte: Ciência para uma pecuária mais sustentável e eficiente

Patricia Vieira Pompeu, ambos da UEMS de Aquidauana, o instituto também vai reunir pesquisadores de instituições brasileiras e internacionais, como a EMBRAPA Pantanal, a Universidade de Zurique (Suíça) e a Universidade do Norte do Texas (EUA).

A ideia do PantaClima é realizar uma abordagem multidisciplinar para compreender como o Pantanal está sendo afetado pelas alterações climáticas. Para além disso, o instituto pretende propor soluções sustentáveis, garantindo a conservação do bioma e o bem-estar das comunidades locais.

Entre os principais focos do PantaClima estão o monitoramento das emissões de gases de efeito estufa, a avaliação dos serviços ecossistêmicos, a análise dos impactos sobre os recursos hídricos, solos, biodiversidade e o regime de queimadas. Além disso, o projeto desenvolve tecnologias e práticas como o uso de microrganismos benéficos, sistemas silvipastoris com espécies nativas e estratégias de recuperação de áreas degradadas.

Maristela Cantadori e Paulo Ricardo Gomes, Comunicação Fundect

Fotos: Leandro Benites e Arquivo Pessoal

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