Ozzy Osbourne, uma das figuras mais icônicas e controversas da história do rock mundial, morreu nesta terça-feira, 22 de julho de 2025, aos 76 anos. O anúncio foi feito pela própria família do artista, que afirmou em comunicado: “É com mais tristeza do que palavras podem expressar que informamos que nosso amado Ozzy Osbourne faleceu nesta manhã. Ele estava cercado de amor e por seus familiares. Pedimos que a privacidade da nossa família seja respeitada neste momento de luto.”
Diagnosticado com Parkinson em 2019, Ozzy enfrentava desafios de saúde nos últimos anos, mas continuava ligado à música até seus últimos dias. Prova disso foi o show realizado em Birmingham, sua cidade natal, no último dia 5 de julho, considerado sua despedida definitiva dos palcos. O evento, batizado de “Back to the Beginning”, reuniu os membros originais do Black Sabbath pela primeira vez em duas décadas — Tony Iommi, Geezer Butler, Bill Ward e Ozzy —, em um tributo histórico ao legado do heavy metal.
O show ainda contou com participações de grandes nomes influenciados pela banda, como integrantes do Metallica, Slayer, Guns N' Roses e Rage Against the Machine. A apresentação foi descrita por críticos como o “maior line-up de heavy metal de todos os tempos”.
Um ícone do rock e da cultura pop
Nascido em Aston, subúrbio operário de Birmingham, Ozzy Osbourne começou a trabalhar ainda jovem, passando por empregos diversos — de afinador de buzinas a funcionário de abatedouro. Mas foi ao colar um anúncio em uma loja de discos procurando músicos que a história começou a ser escrita. Ali surgia o embrião do Black Sabbath, banda que fundou junto com o guitarrista Tony Iommi, o baixista Geezer Butler e o baterista Bill Ward.
Embora outras bandas já experimentassem sons pesados, foi o Sabbath quem realmente moldou o heavy metal como o conhecemos hoje. Com riffs densos, letras sombrias e performances carregadas de teatralidade e rebeldia, a banda se destacou como pioneira e referência obrigatória para gerações de músicos.


Ozzy, com sua voz única e presença de palco irreverente, tornou-se o símbolo máximo do “rockstar fora de controle”. Sua vida foi marcada por episódios polêmicos e comportamentos extremos, que iam de morder a cabeça de um morcego no palco em 1982 (achando que era de borracha) a destruir um galinheiro em casa enquanto usava roupão e galochas. Em outra ocasião, ele foi preso por urinar no monumento do Álamo, no Texas, enquanto usava um vestido da esposa Sharon.


Mas por trás dos excessos, havia também um artista genial e carismático, que construiu uma relação profunda com os fãs. Ozzy quase perdeu tudo em 1989, quando acordou na cadeia sob suspeita de ter tentado estrangular Sharon durante um surto. A esposa retirou a acusação, e o casal seguiu junto, protagonizando anos depois o reality show The Osbournes, que o apresentou a uma nova geração como um pai desbocado, porém amoroso.
Um corpo marcado por abusos e resistência
O caminho de Ozzy foi repleto de superações físicas e emocionais. Já nos anos 2000, mesmo sóbrio, enfrentou graves acidentes. Em 2003, quebrou o pescoço ao cair de um quadriciclo. Em 2019, sofreu uma queda que resultou em uma lesão na coluna — no mesmo ano em que recebeu o diagnóstico de Parkinson. Mesmo assim, não abandonou a música.

Em 2024, foi incluído no Hall da Fama do Rock como artista solo. Na cerimônia, apareceu sentado em um trono preto adornado com caveiras e um morcego gigante — símbolo recorrente em sua trajetória. O mesmo trono foi usado em seu último show, no início deste mês.
Apesar do estado debilitado, Ozzy manteve até o fim seu espírito provocador. Em um documentário lançado em 2020, brincou: “Sabe quando eu vou me aposentar? Quando ouvirem alguém pregar a tampa do meu caixão. E aí eu vou fazer um bis”.
O fim de uma era
A morte de Ozzy Osbourne marca não apenas o fim de uma carreira, mas o encerramento de uma era do rock — uma era onde a rebeldia era crua, autêntica e muitas vezes destrutiva. Ele foi o anti-herói definitivo do gênero, um artista que desafiou limites, redefiniu o que era ser uma estrela do rock e influenciou gerações de músicos e fãs.
Milhares de admiradores prestam homenagens nas redes sociais e nas ruas de Birmingham, onde a exposição Ozzy Osbourne: Working Class Hero, no Birmingham Museum and Art Gallery, deve se tornar um ponto de peregrinação para os fãs até seu encerramento em setembro.
Seus discos continuam a ser passados de geração em geração, como conta Riley Beresford, de 25 anos: “Minha avó comprou um compacto de Paranoid em 1970. Depois passou para minha mãe, e agora está comigo. Ozzy está na nossa família.”
O homem que iniciou sua jornada nos pubs da Inglaterra, assustando frequentadores com olhos de vaca em copos, encerra sua trajetória como um dos maiores nomes da música mundial.
Ozzy Osbourne deixa esposa, filhos, uma legião de fãs e um legado eterno cravado na história do rock.
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Agência O Globo