A Penitenciária Estadual Masculina de Regime Fechado da Gameleira I, em Campo Grande, está desenvolvendo uma série de atividades voltadas à conscientização e ao combate à violência contra a mulher. A iniciativa, promovida pelos setores Psicossocial e Educacional da unidade, buscou alcançar diferentes públicos: internos, familiares visitantes, especialmente as esposas dos custodiados.
Com o grupo de saúde mental “Ressignificar” e o projeto “Cine Cultura: Um olhar através das grades”, os reeducandos participaram de dinâmicas, debates e da exibição de filmes que abordam a temática da violência de gênero.
A ação também envolveu a confecção de cartazes e cartas destinadas simbolicamente a vítimas de violência, como forma de reflexão e empatia.
No mês de agosto, em alusão à campanha “Agosto Lilás”, o setor Psicossocial promoveu rodas de conversa com as esposas dos internos, realizadas nos períodos matutino e vespertino, antes de iniciar as visitas.
Os encontros foram mediados pela gestora do CEAMCA (Centro Especializado de Atendimento à Mulher, à Criança e ao Adolescente em Situação de Violência), por Veridiana Almeida, e abordaram o ciclo da violência e formas de romper com esse padrão.
Reconhecendo a importância de estender a discussão, a unidade também abriu espaço para os próprios policiais penais, que participaram de uma roda de conversa sobre as diferentes formas de violência contra a mulher, reforçando a necessidade de uma atuação mais humanizada e consciente dentro e fora do ambiente prisional.
Segundo o diretor da Penitenciária da Gameleira I , Raul Ramalho, as ações desenvolvidas na tiveram início em julho e prosseguem neste mês de agosto, "com o objetivo de reforçar papel transformador da informação e do diálogo no enfrentamento à violência doméstica, mostrando que o ambiente prisional também pode ser um espaço de conscientização e valorização da dignidade da mulher".
Durante as dinâmicas, as mulheres participantes puderam dar seus depoimentos e uma delas revelou ter sido vitima de diferentes tipos de violência durante anos, assim como seus filhos e contou que só conseguiu mudar sua história quando buscou ajuda dos autoridades competentes. "É muito importante esse tipo de conscientização", agradeceu.
Para encerrar a programação do Agosto Lilás, ainda estão previstas duas novas rodas de conversa com familiares visitantes e uma palestra voltada aos internos, ministrada pela psicóloga Rayane de Oliveira Lima Cruz, que irá abordar o ciclo da violência e divulgar os canais de denúncia disponíveis.
O objetivo é encorajar mulheres a romperem com situações abusivas e estimular os custodiados a refletirem sobre a importância de relações respeitosas e livres de violência.
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