Governo vê possível motivação política em ameaça de envenenar água de indígenas em MS

A ameaça de envenenar a água consumida por indígenas Guarani-Kaiowá em Tacuru é, até o momento, a única entre quatro denúncias recebidas em Mato Grosso do Sul com possível ligação a violência política. A avaliação foi feita neste sábado (31) pelo ministro dos Povos Indígenas, Eloy Terena, durante coletiva em Dourados.
Segundo o ministro, os acusados de fazer a ameaça foram ouvidos pela Polícia Federal na sexta-feira (30). O governo também apura denúncias de atropelamentos e outras situações de violência e intimidação contra comunidades indígenas.
Eloy afirmou que os ministérios dos Povos Indígenas e dos Direitos Humanos receberam 189 denúncias em todo o país. Dez envolvem indígenas; quatro delas foram registradas em Mato Grosso do Sul. O ministro disse que a ameaça contra a água é o único caso no Estado que, nesta etapa inicial, apresenta indícios de assédio ou violência política.
A comitiva federal em Dourados também contou com o ministro da Justiça e Segurança Pública, Wellington César Lima e Silva; a ministra dos Direitos Humanos e da Cidadania, Janine Mello; e a deputada federal por São Paulo Sônia Guajajara (PSOL). A visita foi motivada por relatos de violência e intimidação após o segundo turno das eleições, em 25 de outubro.
O Ministério Público Federal em Mato Grosso do Sul (MPF-MS) já abriu procedimentos para apurar denúncias encaminhadas pela Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib). Os relatos incluem ameaças, atropelamentos, hostilidades e suspeitas de contaminação da água.
Em Naviraí, uma apuração sobre possíveis homicídios motivados por conflitos políticos foi descartada após análise do MPF. Conforme informações da 4ª Promotoria de Justiça e da Prefeitura, o caso registrado no município foi uma tentativa de duplo homicídio decorrente de desentendimento familiar e interpessoal, sem motivação política ou étnica.
Já em Tacuru, foi recomendada à prefeitura a retirada dos servidores apontados como responsáveis por áudios com ameaças de envenenamento da água fornecida aos indígenas.
Eloy Terena disse que pretende discutir com a Secretaria de Saúde Indígena (Sesai) formas de verificar a qualidade da água consumida pelos moradores da região.
fonte: d o u r a d o s a g o r a
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