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SEGURANÇA PÚBLICA

MS esclarece 71% dos homicídios e tem 5º melhor índice do País

Estudo considera dados de 2020 a 2023 e aponta diferenças na investigação entre os estados

9 Jul 2026 - 08h34Por Campo Grande News

Mato Grosso do Sul esclareceu 71% dos homicídios analisados entre 2020 e 2023 e aparece entre os cinco melhores resultados do Brasil, segundo estudo divulgado nesta quarta-feira (8) pelo Instituto Sou da Paz. O levantamento compara o desempenho dos estados e analisa fatores associados à capacidade de identificar autores de assassinatos.

O índice sul-mato-grossense supera a média nacional, de cerca de 40%. Entre os estados e o Distrito Federal analisados, apenas Goiás (86%), Distrito Federal (81%), Minas Gerais (75%) e Paraná (72%) registraram percentuais maiores.

Na outra ponta, os menores índices ficaram com Rio Grande do Norte (9%), Bahia (14%), Rio de Janeiro e Piauí (23% cada) e Ceará (27%). Alagoas, Tocantins e Rio Grande do Sul ficaram fora da comparação por falta de dados no período.

O estudo “Diagnóstico sobre a Investigação de Homicídios no Brasil' busca identificar por que algumas unidades da federação conseguem esclarecer uma parcela maior dos assassinatos. A análise usa o indicador produzido pelo relatório “Onde Mora a Impunidade?' e reúne variáveis sobre violência, condições socioeconômicas e estrutura institucional.

Os pesquisadores encontraram associação entre melhores resultados e indicadores como renda domiciliar por pessoa, desenvolvimento humano, urbanização e escolaridade. O rendimento domiciliar per capita apresentou correlação positiva de 0,56 com o esclarecimento de homicídios, enquanto o IDH (Índice de Desenvolvimento Humano) teve índice de 0,48, a urbanização, de 0,43, e a média de anos de estudo, de 0,40.

No sentido contrário, fatores ligados à violência armada e à vulnerabilidade social aparecem associados a taxas menores de esclarecimento. O estudo aponta correlação negativa com desemprego (-0,58), homicídios cometidos com arma de fogo (-0,55), assassinatos de jovens de 15 a 29 anos (-0,55), analfabetismo (-0,55) e desigualdade de renda (-0,45).

Segundo o diagnóstico, os resultados indicam que estados com melhores condições socioeconômicas e maior desenvolvimento institucional tendem a alcançar índices mais altos. Em áreas marcadas por alta violência e desigualdade, a investigação pode enfrentar mais dificuldades para produzir provas, localizar testemunhas e identificar suspeitos.

A pesquisa também conclui que o esclarecimento de homicídios não depende apenas do volume de recursos investidos. Entre os fatores associados a melhores resultados estão a retirada de armas de fogo de circulação, a rapidez da resposta das forças de segurança e a redução de desigualdades estruturais nos territórios.

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