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FEMINICÍDIO

FEMINICÍDIO: Idosa é morta a pauladas pelo ex-marido

Por Mídia Max com Diário Corumbaense
(5 min de leitura)
Antônio reagiu à abordagem e desacatou policiais durante a prisão. (Reprodução, Diário Corumbaense)

Rosana Candia Ohara, de 62 anos, foi assassinada com pauladas no rosto pelo ex-companheiro, Antônio Lima de Ohara, em Corumbá, a 413 quilômetros de Campo Grande, no início da noite de sábado (24). O autor, de 73 anos, foi preso em flagrante.

Segundo o boletim de ocorrência, a PM (Polícia Militar) foi acionada por um vizinho, que ouviu gritos de socorro e se deparou com a idosa sendo violentada em casa, na Vila Guarani. Ao observar de sua casa, o vizinho flagrou Antônio agredindo a idosa com um pedaço de madeira no rosto. Ele gritou dizendo que o homem não poderia fazer isso e que chamaria a polícia. Porém, Antônio sorriu e continuou agredindo Rosana.

O vizinho acionou a polícia e saiu para a rua, momento em que viu o feminicida deixando o imóvel. Antônio teria se dirigido até ele e proferido ameaças de morte. “Você pode mudar daqui da sua casa, e, se eu for preso, você vai ser o próximo, eu vou matar você”, disse o autor ao morador.

Após a fuga de Antônio, outro vizinho tentou conversar com o feminicida, momento em que ele alegou se tratar de assunto de família e também o ameaçou. Ao ser informado de que não poderia fugir, Antônio teria dito: “Então tenta me segurar”. Ele, então, fugiu de bicicleta, com uma faca na cesta.

Feminicida se escondeu na casa de parentes

Na ocasião, os vizinhos entraram na residência de Rosana e se depararam com ela caída ao chão, já sem vida. O Samu (Serviço de Atendimento Móvel de Urgência) foi acionado e constatou ferimento na região frontal do crânio com bastante sangramento. O Corpo de Bombeiros também esteve no local e realizou manobras de reanimação, mas a idosa não resistiu.

A Polícia Civil, junto da Perícia, foi acionada para investigar a dinâmica e autoria do crime. Em diligências, equipes do SIG (Setor de Investigações Gerais) e da Dam (Delegacia de Atendimento à Mulher) foram até a casa de Rosana. Ao tomarem conhecimento de que Antônio teria se escondido na casa de familiares, os policiais foram até o imóvel, no bairro Universitário.

Ao chegarem à residência, os policiais foram recebidos pelo irmão do feminicida. Ele demonstrou nervosismo excessivo, mas logo confirmou que Antônio havia chegado recentemente ao imóvel. O feminicida foi encontrado na cozinha e reagiu com truculência.

Conforme o registro policial, Antônio alegou que tomaria um chá de camomila antes de ser levado para a delegacia. “Eu vou tomar meu chá de camomila primeiro! Minha cunhada tá fazendo chá e vou tomar!”, disse ele aos policiais. O homem foi algemado e preso em flagrante por feminicídio, ameaça e desacato.

Ainda durante o trajeto até a delegacia, Antônio teria ameaçado os policiais e alegou ser familiar de políticos. Ele afirmou que usaria sua suposta influência para prejudicar a carreira da equipe.

1º feminicídio do ano

Rosana é a segunda vítima de feminicídio neste ano de 2026, em Mato Grosso do Sul. O primeiro caso aconteceu na manhã de 16 de janeiro, na região de Damacuê, distrito localizado na zona rural de Bela Vista, a 313 quilômetros de Campo Grande. Josefa foi assassinada pelo marido, que se matou após o crime.

Antes de entrar para as estatísticas de feminicídio, Josefa sofreu inúmeras violências domésticas. Assim, os relatos de testemunhas mostram o histórico violento da relação.

Porém, a revelação só veio à tona após a morte da mulher. Testemunhas informaram à polícia de Bela Vista que Josefa e Fernando já tinham um histórico de brigas familiares, além dos episódios de violência doméstica.

Feminicídios registrados em MS em 2026:

  • Josefa dos Santos (Bela Vista) – 16 de janeiro;
  • Rosana Candia Ohara (Corumbá) – 24 de janeiro.

Onde buscar ajuda em MS

Em Campo Grande, a Casa da Mulher Brasileira está localizada na Rua Brasília, s/n, no Jardim Imá, 24 horas por dia, inclusive aos fins de semana.

Além da Deam, funcionam na Casa da Mulher Brasileira a Defensoria Pública; o Ministério Público; a Vara Judicial de Medidas Protetivas; atendimento social e psicológico; alojamento; espaço de cuidado das crianças – brinquedoteca; Patrulha Maria da Penha; e Guarda Municipal. É possível ligar para 153.

Existem ainda dois números para contato: 180, que garante o anonimato de quem liga, e o 190. Importante lembrar que a Central de Atendimento à Mulher – 180 é um canal de atendimento telefônico, com foco no acolhimento, na orientação e no encaminhamento para os diversos serviços da rede de enfrentamento à violência contra as mulheres em todo o Brasil, mas não serve para emergências.

As ligações para o número 180 podem ser feitas por telefone móvel ou fixo, particular ou público. O serviço funciona 24 horas por dia, 7 dias por semana, inclusive durante os fins de semana e feriados, já que a violência contra a mulher é um problema sério no Brasil.

Já no Promuse, o número de telefone para ligações e mensagens via WhatsApp é o (67) 99180-0542.

Confira a localização das DAMs, no interior, clicando aqui. Elas estão localizadas nos municípios de Aquidauana, Bataguassu, Corumbá, Coxim, Dourados, Fátima do Sul, Jardim, Naviraí, Nova Andradina, Paranaíba, Ponta Porã e Três Lagoas.

Quando a Polícia Civil atua com deszelo, má vontade ou comete erros, é possível denunciar diretamente na Corregedoria da Polícia Civil de MS pelo telefone: (67) 3314-1896 ou no GACEP (Grupo de Atuação Especial de Controle Externo da Atividade Policial), do MPMS, pelos telefones (67) 3316-2836, (67) 3316-2837 e (67) 9321-3931.

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