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OPERAÇÃO LIVIA

Morte de menina em MS revela rede que promovia suicídios em transmissões ao vivo

Investigação aponta organização criminosa que recrutava adolescentes em plataformas digitais

4 Ago 2026 - 16h26Por Gabi Cenciarelli Campo Grande News

A morte da adolescente de 13 anos, registrada em julho em Naviraí, no sul de Mato Grosso do Sul, levou a Polícia Civil do Estado a descobrir uma organização criminosa com atuação nacional suspeita de recrutar crianças e adolescentes pela internet para submetê-los à violência psicológica, desafios extremos, automutilação e, em casos investigados, indução ao suicídio.

A descoberta deu origem à Operação Lívia, deflagrada nesta terça-feira (4) e coordenada nacionalmente pela DEPCA (Delegacia Especializada de Proteção à Criança e ao Adolescente), de Mato Grosso do Sul, em conjunto com o Ciberlab (Laboratório de Operações Cibernéticas), da Secretaria Nacional de Segurança Pública, vinculada ao Ministério da Justiça e Segurança Pública.


Operação investiga grupo do Discord ligado à morte de adolescente de 13 anos
Ao apresentar os resultados da operação, durante coletiva em Brasília, o secretário nacional de Direitos Digitais do MJSP, Victor Oliveira Fernandes, afirmou que a investigação revelou uma estrutura criminosa que utilizava diferentes plataformas digitais para promover desafios de violência extrema contra crianças e adolescentes.


Objetos apreendidos durante a Operação Lívia serão analisados pela perícia para auxiliar nas investigações sobre a organização criminosa. (Foto: Polícia Civil)
"Identificamos a articulação desses grupos de violência que funcionavam por meio de desafios de violência extrema voltados para crianças e adolescentes. Esse grupo atua simultaneamente no Telegram, fazendo comunicações e propagandas de eventos de automutilação e de induzimento ao suicídio de crianças e adolescentes, que são transmitidos em tempo real dentro da plataforma do Discord", afirmou.


Segundo o secretário, foi justamente uma dessas ações investigadas que culminou na morte da adolescente sul-mato-grossense.

"Num desses casos, infelizmente, veio a culminar numa situação de suicídio por parte de uma vítima do Estado do Mato Grosso do Sul."


Equipamentos eletrônicos apreendidos pela Polícia Civil serão submetidos à perícia para auxiliar na investigação da organização criminosa com atuação em plataformas digitais. (Foto: Polícia Civil)
Investigação começou em Mato Grosso do Sul


Conforme a Polícia Civil, as investigações começaram logo após a morte da adolescente, em Naviraí. As primeiras diligências realizadas pela DEPCA, em atuação integrada com o Ciberlab, mostraram que o caso não se tratava de um episódio isolado.

A análise das evidências digitais permitiu identificar uma organização criminosa estruturada, com atuação nacional, que utilizava plataformas digitais para localizar adolescentes em situação de vulnerabilidade emocional, estabelecer vínculos de confiança e exercer controle psicológico progressivo sobre as vítimas.

Durante a investigação, a DEPCA identificou outra vítima em outro estado brasileiro e reuniu elementos que indicam a possível existência de outras vítimas ainda não localizadas.

Computadores, notebook e outros equipamentos eletrônicos apreendidos durante a Operação Lívia serão periciados para identificar novos envolvidos e possíveis vítimas da organização criminosa. (Foto: Polícia Civil)
Como o grupo atuava

Segundo a investigação, os integrantes mantinham atuação permanente em diferentes plataformas digitais, onde recrutavam crianças e adolescentes para grupos fechados destinados à manipulação psicológica.

Após conquistar a confiança das vítimas, os investigados passavam a impor um processo contínuo de coação, isolamento e violência psicológica. Entre as práticas identificadas estão desafios de violência crescente, automutilação, humilhações, exposição degradante e outras exigências utilizadas para ampliar o controle exercido sobre os adolescentes, chegando, em situações extremas, à indução ao suicídio.


Operação alcançou cinco estados

A partir da coordenação exercida pela DEPCA de Mato Grosso do Sul e pelo Ciberlab, foram cumpridas simultaneamente seis medidas de busca e apreensão contra adolescentes investigados e um mandado de prisão contra um adulto.

As ordens judiciais foram executadas em Mato Grosso do Sul, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Ceará e Pará. Para acompanhar pessoalmente parte das diligências, equipes da DEPCA foram deslocadas ao Rio de Janeiro e ao Ceará, enquanto as demais ações ficaram a cargo das polícias civis locais.

Celulares, computadores e outros equipamentos eletrônicos foram apreendidos e serão submetidos à perícia especializada. Segundo a Polícia Civil, o material poderá auxiliar na identificação de novas vítimas, na individualização da conduta dos investigados e na responsabilização de outros integrantes da organização.

Plataformas também serão investigadas

Durante a coletiva, o Ministério da Justiça informou que encaminhará à Autoridade Nacional de Proteção de Dados pedido para apurar a atuação das plataformas Discord e Telegram.


Segundo a pasta, há indícios de que os ambientes digitais foram utilizados pela organização para recrutamento, comunicação entre integrantes e realização das práticas investigadas.

As investigações prosseguem e novas medidas poderão ser adotadas conforme a análise do material apreendido.


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Procure ajuda – Em Campo Grande, o GAV (Grupo Amor Vida) presta apoio emocional gratuito a pessoas em crise pelo número 0800 750 5554. Também é possível buscar atendimento no Núcleo de Saúde Mental ou no CAPS (Centro de Atenção Psicossocial), ou pelo telefone e 188 do CVV (Centro de Valorização da Vida). Em situações emergenciais, os números 190 da PM (Polícia Militar) e 193 do Corpo de Bombeiros podem ser acionados.

VIDEO: Operação Lívia: quadrilha induzia jovens ao suicídio

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