Incrédulas, vizinhas e amigas lembraram que Vera Lúcia Rossate da Cunha se sentia ameaçada há um tempo, mas não imaginava que seria assassinada pelo próprio irmão, Judicrei Rossate da Cunha. Vera foi assassinada na tarde de quarta-feira (16) no bairro Zé Pereira, em Campo Grande, e o irmão tirou a própria vida após o crime.
Comerciante no Zé Pereira há cerca de 20 anos, Vera é lembrada como uma pessoa amiga, prestativa e muito amada pela vizinhança. Ao Jornal Midiamax, uma comerciante lembrou que recebia as mercadorias de Vera durante o horário de almoço.
“Muita amiga e prestativa, a gente pedia ajuda e ela estava sempre aqui nos ajudando. No horário de almoço, eu recebia as mercadorias dela, enquanto ela ia almoçar. Então, a pessoa que faria a entrega já sabia, já encostava aí para deixar a mercadoria dela”, contou.
A comerciante ainda não acredita na partida da amiga e lembrou um pedido antes da amiga falecer. “Na hora, não acreditei e pedi tanto a Deus para não deixá-la morrer! E está sendo difícil para nós abrirmos a loja hoje. Era um bom dia, tudo de bom, minha flor, minha linda…”, lembrou.
Durante entrevista à reportagem nesta quinta-feira (17), a comerciante falou que ainda sente dificuldade para comentar sobre o feminicídio e lembrou que Vera se sentia ameaçada. “Olha, é difícil falar, né?! Mas ela estava se sentindo ameaçada faz tempo! A gente não achou que ia fazer isso! Mas é problema de família, a gente não sabe”, pontuou.

Comércio de Vera. (Foto: Léo de França, Jornal Midiamax)
‘Estava bem feliz’
Outra comerciante disse que a vítima era tranquila, simpática e educada. Inclusive, na manhã de quarta-feira (16), ela esteve com Vera no comércio de costura, aviamentos e cosméticos.
“Eu sempre ia lá levar a costura para ela. Inclusive, ontem de manhã eu fui lá levar meu vestido para ela arrumar e conversamos bastante. Ela estava bem feliz, sabe?! Era bem prestativa!”, disse.
A maioria dos comércios na rua onde Vera atuava fechou mais cedo devido ao ocorrido. O feminicídio gerou bastante comoção na região.
“Eu acho muito triste. Essa noite a gente nem dormiu de tanta tristeza. Todo mundo aqui fechou o comércio mais cedo ontem. Todo mundo foi embora; todos estão arrasados!”, finalizou a comerciante.
28º feminicídio
Vera Lucia Rossate da Cunha é a 28ª vítima de feminicídio registrada em Mato Grosso do Sul neste ano. A comerciante de aviamentos e cosméticos na Rua Sagarana, no bairro Zé Pereira, foi morta na tarde desta quarta-feira (16), dentro do próprio estabelecimento. O autor foi o seu irmão, Judicrei Rossate da Cunha, que tirou a própria vida após o crime.
Apesar de não terem sido divulgadas, a delegada-adjunta da 1ª Deam (Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher), Analu Ferraz, afirmou que câmeras de segurança instaladas na parte interna da loja registraram o feminicídio seguido de suicídio.
As imagens são claras e mostram Judicrei entrando, portando a arma de calibre .38, na sequência, atirando contra a própria irmã.
“As imagens estão com a gente e não serão divulgadas porque mostram toda a cena do crime. Era uma arma dele; ele chegou com a arma, sacou e já atirou nela e logo em seguida nele”, pontuou.
Ainda no começo da tarde, vizinhos relataram à reportagem do Jornal Midiamax que o suspeito teria prometido vingança contra a família após ser internado compulsoriamente. A delegada confirmou que Judcriei culpava Vera por tal internação.
“Já faz tempo que ele teve alta, mas ele culpava a irmã dele por conta disso. A princípio, a gente ainda vai ouvir as testemunhas para ter mais informações”, disse.
Vera não havia registrado nenhum boletim de ocorrência junto à polícia contra o irmão. Segundo a delegada, ele também não tinha registros de passagens por violência doméstica.

Delegada Adjunta da 1ª Deam, Analu Ferraz. (Foto: Madu Livramento, Midiamax)
Feminicídios em 2026
- Josefa dos Santos (Bela Vista) – 16 de janeiro;
- Rosana Candia Ohara (Corumbá) – 24 de janeiro;
- Nilza de Almeida Lima (Coxim) – 22 de fevereiro;
- Beatriz Benevides (Três Lagoas) – 25 de fevereiro;
- Liliane de Souza Bonfim Duarte (Ponta Porã) – 6 de março;
- Leise Aparecida Cruz (Anastácio) – 6 de março;
- Ereni Benites (Paranhos) – 8 de março;
- Fátima Aparecida da Silva (Selvíria) – 23 de março;
- Marlene de Brito Rodrigues (Campo Grande) – 6 de abril;
- Vera Lúcia da Silva (Eldorado) – 12 de abril;
- Zelita Rodrigues de Souza (Mundo Novo) – 30 de abril;
- Fabíola Marcotti (Campo Grande) – 18 de maio;
- Maria do Carmo de Souza (Naviraí) – 28 de junho;
- Paula de Souza Conceição (Fátima do Sul) – 11 de julho;
- Rosenilda de Oliveira Candelario (Nioaque) – 17 de julho;
- Terezinha Nantes de Arruda (Campo Grande) – 27 de julho;
- Ana Carolina Goes (Água Clara) – 30 de julho;
- Adrielle Encarnação Rodrigues (Corumbá) – 31 de julho;
- Rose Batista Cabreira (Dourados) – 2 de agosto;
- Wandete Góis da Silva (Ponta Porã) – 2 de agosto;
- Adriana Barrios (Paranhos) – 5 de agosto;
- Nathalia Rodrigues Nogueira (Rio Verde de Mato Grosso) – 6 de agosto;
- Joseane Oliveira Nunes (Campo Grande) – 19 de agosto;
- Fátima Alves de Matos (Costa Rica) – 21 de agosto;
- Marta Florentino Godoi (Aquidauana) – 24 de agosto;
- Adrieli dos Santos (Campo Grande) – 29 de agosto;
- Vera Lucia Rossatte da Cunha (Campo Grande) – 16 de setembro.
Onde buscar ajuda em MS
Em Campo Grande, a Casa da Mulher Brasileira está localizada na Rua Brasília, s/n, no Jardim Imá, 24 horas por dia, inclusive aos fins de semana.
Além da Deam, funcionam na Casa da Mulher Brasileira a Defensoria Pública; o Ministério Público; a Vara Judicial de Medidas Protetivas; atendimento social e psicológico; alojamento; espaço de cuidado das crianças – brinquedoteca; Patrulha Maria da Penha; e Guarda Municipal. É possível ligar para 153.
Existem ainda dois números para contato: 180, que garante o anonimato de quem liga, e o 190. Importante lembrar que a Central de Atendimento à Mulher – 180 é um canal de atendimento telefônico, com foco no acolhimento, na orientação e no encaminhamento para os diversos serviços da rede de enfrentamento à violência contra as mulheres em todo o Brasil, mas não serve para emergências.
As ligações para o número 180 podem ser feitas por telefone móvel ou fixo, particular ou público. O serviço funciona 24 horas por dia, 7 dias por semana, inclusive durante os fins de semana e feriados, já que a violência contra a mulher é um problema sério no Brasil.
Já no Promuse, o número de telefone para ligações e mensagens via WhatsApp é o (67) 99180-0542.
Confira a localização das DAMs, no interior, clicando aqui. Elas estão localizadas nos municípios de Aquidauana, Bataguassu, Corumbá, Coxim, Dourados, Fátima do Sul, Jardim, Naviraí, Nova Andradina, Paranaíba, Ponta Porã e Três Lagoas.
Quando a Polícia Civil atua com negligência, má vontade ou comete erros, é possível denunciar diretamente na Corregedoria da Polícia Civil de MS pelo telefone: (67) 3314-1896 ou no Gacep (Grupo de Atuação Especial de Controle Externo da Atividade Policial), do MPMS, pelos telefones (67) 3316-2836, (67) 3316-2837 e (67) 9321-3931.
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