A rotina de montar uma barraca, atender clientes e passar horas parecia cansativa até para a professora de Educação Física Luciana Gracie, de 51 anos, mas hoje é uma das suas maiores alegrias, mesmo que o desafio ainda não seja fácil. O que pouca gente sabe é que as feiras viraram parte do tratamento que a ajudou a recuperar a qualidade de vida após enfrentar uma doença autoimune que a deixou um ano e meio em uma cadeira de rodas.
Diagnosticada com espondilite anquilosante em 2022, Luciana viu a vida mudar completamente. A doença, que provoca inflamações nas articulações, causa dores intensas, perda de mobilidade e pode comprometer órgãos como coração, pulmões e olhos. Sem cura, o tratamento busca controlar a progressão da enfermidade.
Antes do diagnóstico, a professora levava uma rotina intensa.
'Foi bem complicado aceitar a minha nova condição. Eu jogava capoeira, nadava, fazia musculação, fora que eu tenho especialização em personal trainer para população especial e, de repente, eu passei a fazer parte dessa população.', conta.
Nas feiras, ela encontrou motivação para seguir em frente e acredita que a experiência mudou completamente sua forma de enxergar a vida.
“Eu levo uma semana para me recuperar, mas mesmo assim eu não tenho a menor intenção de parar de fazer feira. Esse trabalho que eu faço é uma terapia, isso aqui me dá forças todos os dias. Acho que encaro qualquer coisa pelo fato de eu ter ficado na cadeira de rodas por um ano e meio, eu não quero e não vou voltar para lá.', afirma.
Apesar de produzir semijoias desde 2009, Luciana vendia apenas para amigos e pela internet. A virada aconteceu quando conheceu a Feira Ziriguidum, em maio, onde se apaixonou pelo ambiente acolhedor e descontraído, e descobriu sua verdadeira vocação.CONTINUA
“Eu descobri que eu nasci pra ser feirante, só não sabia ainda “, explica.
Hoje, a marca Luciana Gracie Designer passou por fases de renovação, ganhou novas embalagens e maiores investimentos nas produções. Além disso, participa de diferentes eventos em Campo Grande, como a Feira Ziriguidum, a Feira Obá, a Feira Baobá, a feira livre realizada às quintas-feiras no Bairro Rita Vieira, e estreou sua participação na Feira da Mata do Jacinto, que inaugurou no sábado (18).
Mesmo convivendo diariamente com uma doença crônica, Luciana mantém o otimismo e destaca que se transformou como pessoa desde o diagnóstico.
“Tem dias que eu não vou dizer pra você que não dói, mas enquanto Deus me der força, eu vou estar aqui. Tudo tem um propósito na nossa vida, e quando você passa por uma situação dessa, você olha a dor do outro com outro aspecto, você olha de dentro, é diferente!', finaliza.
Contato com Luciana é pelo Instagram
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