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Brasil fecha, em média, oito escolas por dia na região rural

3 Mar 2014 - 10h12Por Folha

A cada dia, em média, oito escolas da zona rural são fechadas em todo o país.

Nos últimos dez anos, são 32,5 mil unidades a menos no campo, de acordo com levantamento da Folha com base em dados do Censo Escolar.

Somente no ano passado 3.296 escolas desse tipo foram fechadas no país. Agora, há 70,8 mil escolas no campo, ante 103,3 mil em 2003.

A prática é motivo de preocupação do governo federal, que há dois anos enviou ao Congresso uma projeto para estancar essa redução anual.

A proposta, aprovada somente na semana passada no Senado e agora no aguardo da sanção da presidente Dilma, fala nos transtornos à população rural, que "ou deixa de ser atendida, ou passa a demandar serviços de transporte escolar" –daí a ideia de exigir estudos e consulta prévia à comunidade sobre o fechamento ou não das escolas.

Hoje, o fechamento é motivo de apreensão de sindicatos e movimentos do campo.

Já prefeituras e Estados alegam custos de manutenção e problemas de estrutura.

  Editoria de Arte/Folhapress  

Em alguns casos, o fechamento é acompanhado de uma "nucleação" –quando várias escolas menores são unidas em uma só "escola-polo", maior que as primeiras, ainda na zona rural.

Em outros, o vazio de escolas no campo e as longas distâncias até as escolas-polo obrigam alunos a se deslocar diariamente até a cidade.

É o caso de Diego, 12, da zona rural de Aratiba (RS), que passa todos os dias por três etapas para chegar à escola.

A primeira começa às 10h45, quando, após o almoço, despede-se dos pais e anda por 1 km até um ponto de ônibus, onde sobe em uma van com colegas.

É então deixado na beira da estrada, onde espera 40 minutos pelo ônibus que irá completar o trajeto. Horário de chegada na escola? 12h30.

Após quatro anos nessa rotina, Diego diz que o trajeto cansa, mas já está acostumado –o que não ameniza a preocupação do pai em vê-lo à beira da estrada. "Tem um abrigo, mas, quando chove, eles se molham, porque não cabe todo mundo", diz o agricultor Alcebíades Cense, 53.

Além do risco à segurança das crianças, devido também às condições do transporte escolar em alguns locais, federações de agricultores dizem que a medida acelera o abandono das famílias do campo, facilita a evasão escolar e impede a participação deles na comunidade.

A maioria também critica a falta de investimento na estrutura das escolas do campo –o que colabora para que, então, sejam fechadas.

"Há uma ausência do Estado, que não reforma, não amplia [as escolas]. As famílias dizem: como vou dizer para meu filho continuar aqui, se não tem carteira, não tem banheiro?", afirma José Wilson Gonçalves, da Contag (Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura).

CAMPO SEM ESCOLA

Para Bernardo Mançano Fernandes, da Cátedra Unesco de Educação no Campo, o fechamento dessas escolas se deve ao avanço das grandes plantações, que reduz o número de trabalhadores no campo, e à falta de investimento das prefeituras.

Segundo ele, o fechamento começou há mais de 20 anos –e deve continuar.

Ainda de acordo com Mançano, a nucleação pode ser uma alternativa para a melhoria de algumas escolas do campo. "Desde que não seja um projeto só da secretaria, mas sim da secretaria em conjunto com a comunidade."

Já João Batista Queiroz, professor de licenciatura em educação no campo na UnB (Universidade de Brasília), vê a medida com ressalvas.

Para ele, a extinção de escolas no interior também pode estimular o êxodo rural.

"Isso [nucleação] não é sinônimo de educação de qualidade. Infelizmente às vezes se pensa unicamente no financeiro, e não no processo de aprendizagem", afirma.

Para ele, o baixo número de alunos não pode ser justificativa para o fechamento, uma vez que as comunidades podem investir em alternativas pedagógicas próprias.

Uma delas é a alternância, na qual os alunos intercalam períodos em sala de aula, em regime de internato, com períodos na casa dos pais.

"Mesmo que tenha um número pequeno de alunos, esse número pequeno tem direito [à educação]", afirma.

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