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Economia

Mais de US$ 30 bi por ano deixam o Brasil de forma ilícita, revela estudo

8 Set 2014 - 14h17Por O Globo

Mais de US$ 30 bilhões em dinheiro sujo ligado à evasão de impostos, ao crime e à corrupção sai do Brasil todos os anos, o dobro de uma década atrás, mostrou um estudo do Global Financial Integrity (GFI), um grupo de pesquisa baseado em Washington que defende a transparência financeira. A sonegação de impostos é modo principal como esse dinheiro deixa o país, respondendo por 92,7% dos US$ 401,6 bilhões que saíram do Brasil entre 1960 e 2012, de acordo com a pesquisa. O montante fica acima da média mundial, onde a evasão de impostos representa cerca de 80% dos fluxos financeiros ilícitos.

As perdas anuais são equivalentes a 1,5% da produção econômica brasileira, com média de US$ 33,7 bilhões por ano no período de 2010 a 2012, um aumento em relação aos US$ 14,7 bilhões na primeira década do século 21. Mas as perdas são provavelmente anda maiores, disse a GFI, considerando que suas estimativas não incluem grandes quantias de contrabando de dinheiro, um método favorito de movimentar dinheiro por parte de traficantes de drogas e outros criminosos, ou em negociações por serviços ou transferências financeiras entre ramificações de corporações multinacionais.

— O Brasil tem um sério problema com fluxos financeiros ilícitos, e combatê-lo deve ser uma prioridade para qualquer administração que vencer as próximas eleições — disse Raymond Baker, presidente da GFI.

A Petrobras, por sua vez, está envolvida em um caso de suborno envolvendo contratos para plataformas de produção que o Brasil, a Holanda e os Estados Unidos estão investigando. Além disso, a economia tem patinado sob o governo de Dilma, que enfrenta uma dura eleição presidencial em outubro. Fluxos ilícitos de saída de dinheiro enfraqueceram ainda mais a economia, ao drenar recursos do Brasil que poderiam, de outra forma, ser utilizados no crescimento nacional.

O dinheiro é movimentado internacionalmente através da chamada “precificação comercial irregular”, ao cobrarem a menos ou a mais por bens e produtos. No Brasil, a economia informal encolheu para 21,8% do PIB oficial, à medida que a economia regular do país cresceu, em comparação ao pico de 55% nos anos 1970, de acordo com a GFI. Apesar desta melhora, a receita alta nos fluxos de dinheiro sujo é uma preocupação.

— Por muitos anos, temos observado a reticência do Brasil de se dirigir a problemas de fuga de capital e fluxos ilícitos — disse Baker.

Ele recomendou mais cooperação entre governos para encerrar os canais de lavagem de dinheiro e maior transparência em transações financeiras internacionais.

 

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