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INSEGURANÇA

Em 10 anos, quatro pontes de concreto desabaram em MS

Casos em Guia Lopes da Laguna, Jardim e Coxim envolveram estruturas relativamente novas

13 Ago 2026 - 14h20Por Campo Grande News

A queda da ponte sobre o Rio Taquari, nesta quinta-feira (13), em Coxim, colocou novamente em evidência a segurança de grandes estruturas de concreto em Mato Grosso do Sul. Em pouco mais de dez anos, ao menos quatro pontes estaduais desabaram em episódios de grande repercussão, em Guia Lopes da Laguna, Jardim, Rio Negro e, agora, Coxim. As três estruturas foram inauguradas em um intervalo de apenas cinco anos, entre 2009 e 2014, na gestão André Puccinelli e custaram cerca de R$ 6 milhões em valores da época.


O primeiro caso ocorreu em 2 de janeiro de 2016, na MS-382, em Guia Lopes da Laguna. A ponte sobre o Rio Santo Antônio havia sido inaugurada em abril de 2012 e desabou com menos de quatro anos de uso. A estrutura fazia a ligação da região com Antônio João e atendia moradores dos assentamentos Rio Feio e Retirada da Laguna.


Ponte de concreto desmorona, caminhão cai e motorista morre no Rio Taquari
As fortes chuvas foram apontadas inicialmente como fator associado ao desabamento, mas uma perícia realizada posteriormente identificou falhas de projeto e execução. O prejuízo foi estimado à época em R$ 1,3 milhão.

O colapso ocorreu de forma progressiva, com partes da estrutura cedendo em sequência. Segundo o laudo técnico, havia falhas críticas, entre elas ausência de armaduras de ligação entre travessas e pilares, além de erosão do aterro e deslocamento de uma das estruturas de sustentação.


Os técnicos também concluíram que a ponte era curta para a largura do rio naquele ponto. O laudo menciona 72 metros de extensão e aponta que o dimensionamento favoreceu o solapamento do aterro na margem direita. A construtora chegou a tentar recompor o local, mas a estrutura já havia sofrido deslocamento horizontal.

Uma nova ponte foi entregue apenas em 2019. Os escombros da antiga permaneceram durante anos dentro do Rio Santo Antônio e ainda motivavam reclamações de moradores em 2024.


Em 2018 foi a vez de estrutura despencar em Jardim (Foto: Arquivo)
Jardim em 2018

Dois anos depois, em 28 de fevereiro de 2018, outra ponte relativamente nova desabou parcialmente, desta vez sobre o Rio dos Velhos, na zona rural de Jardim. Inaugurada em 2014, a estrutura tinha pouco mais de três anos de uso.

O desabamento ocorreu durante um período de fortes chuvas. Um dos blocos de sustentação foi deslocado, e a ponte precisou ser interditada. A queda prejudicou uma região de produção de soja, pecuária e agricultura familiar, além do transporte de estudantes. O Estado precisou abrir um acesso provisório pela localidade conhecida como Água Amarela.

Novamente, a perícia mostrou que o temporal não explicava sozinho o problema.


Laudo encomendado pela Agesul (Agência Estadual de Gestão de Empreendimentos) à Etelo Engenharia de Estruturas concluiu que a ponte havia sido mal dimensionada, apresentava falhas de projeto e não atendia às condições mínimas de segurança e estabilidade.

Entre os problemas estava a forma como parte da sustentação havia sido instalada. A base do lado direito, composta por uma viga de concreto apoiada em blocos e estacas, foi construída sobre o barranco e distante da margem do rio. Pilares também estavam assentados sobre um maciço de terra arenosa que avançava sobre a calha.

O parecer apontou ainda um recalque acentuado nas fundações da terceira linha de pilares, responsável pelo afundamento de parte da estrutura. A proximidade dos pilares com a calha também favorecia o acúmulo de galhos e vegetação carregados pelas enchentes, aumentando a pressão sobre a ponte.


A conclusão foi de que o projeto não era adequado para aquele local. As chuvas, portanto, funcionaram como o evento que expôs problemas estruturais já existentes.

A Agesul informou ainda que a empresa responsável pela construção da ponte de Jardim era a mesma que havia executado a estrutura sobre o Rio Santo Antônio, em Guia Lopes da Laguna. A Etelo, responsável pelo laudo de Jardim, também havia analisado o desabamento ocorrido em 2016.

Nos dois casos, portanto, as chuvas estavam presentes, mas as análises técnicas identificaram também problemas de projeto, dimensionamento ou execução das obras.

Rio Negro em 2026

Outro caso ocorreu em 22 de fevereiro deste ano, na MS-080, em Rio Negro. Parte da ponte de concreto sobre o Rio do Peixe desabou durante a passagem de uma carreta bitrem. A estrutura, construída em 2010, já havia sido afetada pelas fortes chuvas registradas naquele mês e apresentava rachaduras nas cabeceiras.

Dias antes da queda, o transbordamento do rio havia provocado a interdição da rodovia. No momento do desabamento, segundo o Governo do Estado, a carreta trafegava acima do limite de peso permitido para a estrutura. O motorista não ficou ferido.


Após o colapso, o Estado contratou emergencialmente a Paulitec Construções Ltda. para construir uma nova ponte, com valor estimado em R$ 13,28 milhões e prazo de 360 dias. Enquanto a obra definitiva não é concluída, uma ponte metálica provisória foi instalada no local.


Coxim

O episódio desta quinta-feira é o mais grave dos três pelas consequências humanas. Um motorista morreu depois que a ponte João Wenceslau Leite de Barros, na MS-214, desmoronou enquanto o caminhão em que ele estava atravessava o Rio Taquari. Um passageiro conseguiu escapar.


A estrutura tinha 168 metros de extensão, havia sido inaugurada em novembro de 2009 e custou, segundo os valores divulgados na época, R$ 2,1 milhões. Estava em uso havia 17 anos.

A ponte pertence ao Governo do Estado. Equipes da Agesul e da Seilog (Secretaria de Estado de Infraestrutura e Logística) foram encaminhadas ao local para avaliar o desabamento.

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