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MS tem 18 mil famílias esperando terra

22 Ago 2006 - 13h09
A fila não pára de crescer em Mato Grosso do Sul. Dados do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) revelam que cerca de 18 mil famílias estão acampadas em margens de rodovia a espera de um pedaço de terra. São homens, mulheres e crianças espalhados em 190 acampamentos de diversos movimentos sociais.
O levantamento mostra que quanto mais o Incra disponibiliza áreas para assentamento mais cresce o número de famílias a espera por um terreno. Em 1984, quando teve início o processo de reforma agrária destinado aos movimentos sociais no Estado, eram 8.500 famílias na fila de espera. Hoje, 22 anos depois e mais de 24.443 famílias assentadas, o número de candidatos a assentados só cresce. Segundo o Incra, 576 mil hectares já foram destinados à reforma agrária em Mato Grosso do Sul, dando origem a 133 assentamentos rurais.
Apesar do avanço na reforma, o sistema de repovoamento das áreas rurais têm se mostrado ineficaz, segundo analistas, economistas e pesquisadores. Para o agrônomo, Maurício Palma Nogueira, especializado em Administração Rural, o sistema de reforma agrária em implantação no Brasil não funciona e ainda gera pobreza no campo. Segundo ele, o governo está criando favelas rurais. "Os governantes não deveriam gastar mais dinheiro com este tipo de reforma", disse.
Nogueira se baseia em números para defender a tese. Dados do governo federal revelam que nos oito anos de Fernando Henrique, foram assentadas 635 mil famílias, o que significa 22 milhões de hectares ocupados pela reforma agrária. Entretanto, dados da CNA (Confederação Nacional da Agricultura) revelam que a grande maioria dos assentados vive sem qualquer perspectiva de vida ou dignidade, fatores considerados essenciais na reforma agrária.
Para se obter estes resultados, foram gastos R$ 49,6 bilhões, dinheiro suficiente para construir 635 mil casas e garantir uma renda de R$ 400 por 10 ou 12 anos para as famílias. O levantamento da CNA mostra ainda que 61% das famílias de assentados vivem em casa de taipa ou de madeira, 78% não possuem energia elétrica, 86% não têm água encanada e 58% não contam com assistência médica.
O presidente da Comissão de Assuntos Fundiários (CAF) do Sindicato Rural de Dourados, Leopoldo Pozzi, destaca que além de não funcionar economicamente, o atual modelo de reforma agrária está tirando espaço do setor produtivo, afetando a produção e a economia do país. "Uma das principais falhas do governo está no processo de seleção dessas pessoas. Muitos estão interessados apenas em conseguir um pedaço de terra para vender mais tarde", disse.
No assentamento Itamarati, em Ponta Porã, considerado o maior projeto de reforma agrária do país, as milhares de famílias assentadas ainda sofrem com os problemas de produção e a falta de assistência técnica. Boa parte dos agricultores preferem ficar sem plantar a se arriscar numa atividade que não conhecem bem. Muitos lotes já foram vendidos e outros estão em negociação.
Segundo o agrônomo Anaximandro Almeida, em artigo publicado no site da CNA, em torno de 5 a 6% dos assentamentos da reforma agrária foram considerados consolidados pelo Incra. "Não se conhece, ainda, o montante de produção, produtividade e renda destes assentamentos. Vale lembrar que a emancipação dos assentamentos é uma obrigação há muito tempo esquecida pelo poder público. A dependência de recursos públicos pelos assentamentos do Governo Federal revela alto grau de paternalismo e constitui, na prática, um indicador de insustentabilidade da reforma agrária", disse.

 
O Progresso

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