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Brasil

Época foi procurada por integrantes da campanha de Lula

19 Set 2006 - 16h45
Nota da revista Época divulgada nesta terça-feira informa que a publicação foi de fato procurada por "alguém" que tinha denúncias capazes de desmoralizar os ex-ministros da Saúde José Serra e Barjas Negri. Diante disso, um repórter de sua equipe se reuniu, em um hotel de São Paulo, com dois integrantes da campanha de Lula, Oswaldo Bargas e Jorge Lorenzetti.

Bargas e Lorenzetti disseram que aquela reunião nada tinha a ver nem com o PT nem com o governo. Disseram também que Aloizio Mercadante, candidato do PT ao governo paulista, não sabia das denúncias nem da reunião, mas que o presidente do PT, Ricardo Berzoini, sabia da reunião, mas não tinha conhecimento do conteúdo do material.

Bargas, de acordo com a nota, queria saber do interesse da revista em publicar as informações. A revista informou que precisaria ver o material, mas que não se comprometia com a divulgação dele. Bargas, segundo a nota, ficou de falar com o denunciante e, em seguida, com o repórter. Mas, na mesma noite, telefonou avisando que o denunciante não queria mais apresentar o material.

A nota da publicação foi divulgada porque o advogado Gedimar Pereira Passos citou a revista em depoimento feito à Polícia Federal. Gedimar foi detido pela Polícia Federal na sexta-feira, dia 15, juntamente com Valdebran Padilha, que é filiado ao PT, com R$ 1,75 milhão em um hotel em São Paulo. Estes recursos seriam usados na negociação de documentos com supostas denúncias contra tucanos no esquema de venda de ambulâncias superfaturadas.

Segue a íntegra da nota:

"Esclarecimento

Em depoimento à Polícia Federal, o advogado Gedimar Pereira Passos - que afirma ter sido contratado pelo PT para negociar um dossiê com denúncias contra o candidato José Serra - citou a revista Época. Diante dessa citação, Época gostaria de esclarecer que:

1) Oswaldo Bargas, ex-secretário do Ministério do Trabalho, atual responsável pelo capítulo de Trabalho e Emprego do programa de governo de Lula, procurou há duas semanas o jornalista Ricardo Mendonça, de Época. Ele pediu um encontro com o repórter.

2) O encontro foi marcado para uma suíte do hotel Crowne Plaza, em São Paulo, no final da tarde do dia 6 de setembro. Nessa reunião estava presente também Jorge Lorenzetti, analista de risco e mídia da campanha de Lula. Bargas afirmou ter sido procurado por alguém que tinha denúncias sérias contra políticos de renome. As acusações, segundo ele, poderiam ser comprovadas por meio de fotos, vídeos e de uma "farta documentação". Bargas perguntou se havia interesse da revista em publicá-las.

3) O repórter de Época disse que tinha interesse em conhecer o teor das denúncias, mas não se comprometeria a publicá-las. Isso dependeria de uma investigação sobre a relevância e a consistência das acusações.

4) Bargas afirmou não ter nada para mostrar naquele momento. Disse que não podia especificar quais eram as denúncias nem quem era o denunciante. Diante da insistência do repórter, ele disse apenas que as denúncias seriam fortes o suficiente para desmoralizar o candidato do PSDB ao governo do Estado de São Paulo, José Serra, e o ex-ministro da Saúde Barjas Negri.

5) Durante o encontro, Bargas e Lorenzetti disseram várias vezes que aquela reunião nada tinha a ver com o PT nem com o governo. Aquele encontro, segundo eles, servia apenas para sondar o interesse de Época. Bargas afirmou que Aloizio Mercadante, concorrente de Serra na disputa pelo governo de São Paulo, não sabia das denúncias nem da reunião. Disse ainda que, no PT, apenas o presidente do partido, Ricardo Berzoini, havia sido avisado do encontro com o repórter, mas sem ter conhecimento do conteúdo do material.

6) No final da reunião, que durou cerca de 30 minutos, Bargas disse que voltaria a falar com o denunciante e depois entraria em contato com o repórter.

7) Naquela mesma noite, Bargas telefonou para avisar que o denunciante voltara atrás e não queria mais apresentar o material, nem dar entrevista. Uma semana depois, a revista IstoÉ publicou a entrevista em que Darci e Luiz Antonio Vedoin, os donos da Planan, acusavam Serra e Barjas Negri."

 

 

Estadão

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