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Cientistas armazenam sementes para salvar orquídeas da extinção

20 Set 2010 - 10h52Por AFP
As orquídeas que repovoarão as florestas do futuro dormem nos tubos de vidro de câmaras climatizadas a -20°C e mantidas por uma peculiar sociedade de cientistas do mundo todo.

O projeto "Armazenamento de Sementes de Orquídeas para Uso Sustentável" (OSSSU, na sigla em inglês) é mantido por cientistas de 23 países da América, Ásia e Europa, que estão reunidos até sexta-feira na Costa Rica.

Sua missão é garantir que, apesar da exploração comercial abusiva e dos embates em torno do aquecimento global, a humanidade continue convivendo com estas maravilhosas flores daqui a 100 ou 200 anos.

O pesquisador Hugh Pritchard, um dos pais da ideia e cientista do Millenium Seed Bank Project do Reino Unido, explicou à AFP que o objetivo da iniciativa é construir uma rede de bancos de sementes ao redor do globo, para garantir a preservação - numa primeira etapa - de 250 espécies de orquídeas.

Embora existam no mundo aproximadamente 35.000 espécies de orquídeas, um grupo de 250 foi identificado como de alto risco de extinção, por diferentes fatores, segundo o especialista.

"Um destes fatores é a extração em excesso de espécies das florestas para fins comerciais; outro são as mudanças climáticas, que devem acelerar o desaparecimento de muitas espécies nos próximos 40 anos", indicou Pritchard.

Fundamentalmente, o OSSSU prevê que os representantes de cada país colete grandes quantidades de sementes de suas espécies nativas e as encaminhe para armazenamento, onde são mantidas a 20 graus abaixo de zero.

"As sementes servirão no futuro para projetos de reintrodução de espécies, restauração de hábitats e outros usos sustentáveis", destacou Pritchard.

Uma vantagem das orquídeas é que suas sementes são bem pequenas, e por isso podem ser armazenadas aos milhões em uma pequena câmara de refrigeração.
O biólogo equatoriano Eduardo Sánchez explicou que a equipe de cada país está dando enfoques próprios ao projeto, de acordo com suas necessidades e as características de sua experiência.

No Equador, por exemplo, a Universidade de Cuenca decidiu plantar 35.000 mudas das espécies mais valorizadas no comércio, das quais 10.000 serão vendidas a preços muito baixos com o objetivo de saturar o mercado.

As outras 25.000 serão colocadas em árvores na beira de rios, em jardins botânicos e no próprio campus da universidade. A ideia é estimular o apreço pelas plantas e o apego à preservação, assim como favorecer o turismo.

Nas Filipinas, há espécies nativas que servem de base para a criação de híbridos, que são reproduzidos às dezenas de milhões com fins comerciais, fazendo com que algumas destas variedades nativas tenham chegado à beira da extinção total, alertou Lilian F. Pateña, professora da Universidade das Filipinas.

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