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Fátima do Sul, 20 de Novembro de 2017
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30 de Agosto de 2017 09h52

Vítimas das drogas, mãe e filho pedem ajuda e PM encaminha dependente para reabilitação

pastor Eurípedes Pimenta Júnior Filho, responsável pelo projeto Cerda (Centro de Recuperação Evangélico Deus é Amor) que tem mais de 22 anos de existência em Corumbá.

Nova News
Fotos: Anderson Gallo/Diário CorumbaenseFotos: Anderson Gallo/Diário Corumbaense

O policial militar é um agente da segurança que tem por função a manutenção da ordem pública. Trabalhando na linha de frente, presenciando diretamente os problemas da sociedade, os policiais frequentemente se deparam com situações envolvendo dramas pessoais, em sua maior parte causados pelas drogas.

Não se envolver nessas situações seria o caminho mais fácil, e não seria a maneira errada de tratar as ocorrências e desdobramentos presenciados durante os atribulados plantões policiais, porém, muitos preferem fazer o algo a mais. Ao longo dos anos, a Polícia Militar tem mudado sua forma de atuar, trabalhando em parceria e mais próximo da população, a imagem do policial, principalmente em Corumbá e Ladário, mudou.

Nessa linha de trabalho, desde 2010, reativada em maio deste ano após um período fechada, existe na parte alta a sede da Patrulha Comunitária do 6º Batalhão da Polícia Militar de Corumbá, que atualmente é comandado pelo tenente-coronel Silva Neto. A necessidade da base comunitária surgiu com o crescimento daquela região nos últimos anos, sendo necessária a presença de um espaço físico da PM. Através de conversas com a população que desencadeiam ações objetivas, a Polícia Militar tem buscado reduzir a criminalidade na área de atuação.

 

 

Atualmente o projeto atende em torno de 50 pessoas entre internos e familiares

 

Foi em uma dessas ocorrências que policiais militares conheceram a história de mãe e filho, marcada pelas drogas. Ele, um usuário de drogas, de 30 anos, em elevado nível de dependência. Ela, idosa de 77 anos, mãe de quatro filhos, todos com problemas na Justiça, que mantém a casa com pequenos rendimentos que obtém realizando trabalhos domésticos para outras pessoas. A casa simples de madeira abriga cinco pessoas, entre elas duas crianças e a esposa do filho.

O drama familiar começou a ser acompanhado após uma ocorrência de furto. O filho da idosa furtou o aparelho de tv da casa e vendeu pelo valor de R$ 100. Ele confessou o que fez à mãe e ela chamou a PM. Os militares foram até o comprador, recuperaram a televisão e encaminharam o homem para a delegacia. No Distrito Policial, a mãe pediu para que o filho não ficasse preso e ele retornou para casa.

"Eu quero ver a melhora dele e não a piora"

Após o episódio, em uma ação de Visita Solidária, realizada pela Patrulha Comunitária da PM, o filho da idosa pediu ajuda aos policiais. “Sempre o meu medo foi entrar nisso de roubar, tirar coisas das outras pessoas. Eu enjoei dessa vida, de não trabalhar e ver minha mãe sofrendo, passando por tudo isso que ela tem passado e agora ver o filho tirar as coisas de casa. Eu vejo o sofrimento da minha mãe, desde a época que eu estava preso. O que ela faz e fez me deu ânimo para buscar apoio. Antes pensava que só eu estava sofrendo, mas agora tenho certeza do sofrimento ao meu redor”, disse o homem em entrevista ao Diário Corumbaense. Ele relatou que já cumpriu pena por 9 meses por envolvimento em um crime que aconteceu em 2015. Hoje, está em liberdade provisória, aguardando julgamento.

Mãe nunca desiste dos filhos, mesmo quando eles não acreditam mais na própria salvação. A humildade e simplicidade na maneira de falar da idosa, às vezes com a voz embargada pela emoção, deixam transparecer o pedido de socorro em nome do filho. “A gente é mãe, eu quero ver a melhora dele e não a piora. Ele nunca foi de fazer nada contra mim, nunca bateu na família, ele é bravo, xinga, mas eu enfrento ele, o que piora a situação é o problema da droga. Queria que ele tivesse ajuda”, pediu.

A idosa relatou que chegou a comentar com o filho sobre a atitude dos policiais e destacou a sensibilidade dos militares durante a primeira visita à família. “Eu acho tão bom o que os policiais estão fazendo, porque a gente não costuma ver a Polícia dessa forma. Quando os policiais vieram aqui pela primeira vez até me perguntaram se havia alimento na casa", contou.

 

 

Os irmãos Gerson e Freitas, cabos da Polícia Militar, é que se sensibilizaram com a história

 

Os irmãos Gerson e Freitas, cabos da Polícia Militar, é que se sensibilizaram com a história. Eles integram o efetivo da Base Comunitária e convivem com a comunidade da parte alta da cidade. “Dentro do programa de policiamento comunitário nós realizamos essas visitas solidárias que fazem parte da prevenção. Tudo que envolve Segurança Pública passa no raio-x da Polícia e cai no policiamento comunitário que é o nosso trabalho”, explicou Freitas.

De acordo com Gerson, a ação faz parte de um trabalho preventivo da PM, que aconteceu somente após o primeiro passo ser dado pelo dependente químico, que solicitou ajuda aos policiais. “Se essa pessoa continuar sem assistência pode cometer outros delitos. Ele mostrou pra gente que quer mudar e nós temos parceria com um projeto que é próximo da casa dele, entramos em contato e de imediato o responsável autorizou e marcamos horário para levá-lo. Ele quer a mudança e isso é muito importante, não podemos deixar desse jeito. É um problema que pode gerar outros e vamos tentar sanar pela raiz”, disse o policial militar a este Diário.

O cabo lembrou ainda sobre o relacionamento da população com a Polícia Militar. “Hoje  a Polícia está vivendo um momento de quebra de paradigmas, já que antes, o policial era visto como truculento. Hoje buscamos trabalhar de outra forma, sempre em parceria com a população. Com certeza assim nós identificaremos os problemas e resolveremos com mais eficiência", comentou Gerson.

Encaminhado desta vez, não para a delegacia, mas sim para uma fase de reabilitação, o filho da idosa foi recebido pelo pastor Eurípedes Pimenta Júnior Filho, responsável pelo projeto Cerda (Centro de Recuperação Evangélico Deus é Amor) que tem mais de 22 anos de existência em Corumbá. O pastor falou da importância de o dependente químico buscar auxílio e do trabalho em conjunto com a Polícia na tentativa de combater o mal social enfrentado pela comunidade.

“O importante é a pessoa dar o primeiro passo, que é o caso, não adianta trazer à força. Como ele entendeu o risco que oferece à sua família, buscou ajuda e agora vai caminhar junto com a gente. É bom interagir com a Polícia Militar que conhece a situação e tem essa atitude de retirar essas pessoas das ruas que encontram aqui sempre as portas abertas. Aqui é um lugar onde essas pessoas que podem apresentar risco à comunidade se sentem abrigadas e direcionadas. Ele vai encontrar apoio, orientação através da Palavra de Deus, para que possa voltar à sociedade de uma forma diferente”, frisou o pastor.

Atualmente o projeto atende em torno de 50 pessoas entre internos e familiares. Com princípios cristãos, o projeto tem como objetivo auxiliar pessoas que possuem algum tipo de vício orientando-os para ter uma vida digna, além de trabalhar o retorno dos atendidos aos seus lares. Mais informações sobre as ações do projeto Cerda podem ser obtidas pelo telefone (67) 9 9915-6999.

 
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