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Zé Teixeira diz que setor produtivo anda de pernas bambas

4 Jul 2007 - 16h36

O deputado estadual Zé Teixeira (DEM) avaliou nesta quarta-feira, em entrevista à imprensa, que o setor produtivo anda de pernas bambas e cada vez os produtores administram prejuízo, um forte impacto negativo por causa de uma política agrícola incorreta. 

Segundo o deputado, falta poder de investimento no setor, num País que, conforme analisa, não tem subsídio e concorre com um mundo desenvolvido. “O setor produtivo é hoje sustentado por 40 milhões de hectares de terras plantadas e tem 60 milhões de hectares investidos na reforma agrária, um milhão de famílias por 50 milhões investidos e 800 famílias passando fome, então é um peso e duas medidas”, colocou. 

Diante da situação dramática pela qual passa o setor, Zé Teixeira aconselha o governador André Puccinelli (PMDB) a ser mais ousado e se puder, inclusive, crie mecanismos para salvar a agropecuária do Estado, mesmo tendo que desobedecer algumas regras legais.

“Aqui em Mato Grosso do Sul, temos um governador arrojado, que não quer passar pela vida sendo um mau administrador, por isso ele tem que apertar o setor produtivo. Ele tem que desrespeitar a Lei Kandir, fazer um acordo com o produtor para a metade ele exportar e a metade ele pagar imposto, o imposto acumulativo não é permitido pela constituição federal. Quando você paga imposto, de um produto pra você produzir, quando você produz você tem que utilizar aquele crédito na segunda operação”, sugeriu.

Integrante da base aliada do governo na Assembléia Legislativa e líder da bancada ruralista na Casa, Zé Teixeira vê dificuldades de o Estado se desenvolver sobrevivendo apenas do cultivo da soja e da criação de gado bovino. Segundo ele, é preciso novas alternativas.

“Assim o Estado não pode se desenvolver, é um Estado com dificuldade de pagar folha, de investimento, tem de estar criando mecanismos de fundo para investimentos em rodovias e o recurso não dá. O povo fica trabalhando três, quatro anos com ponte rodada, e o povo dando volta, e o Estado sem condições de fazer, primeiro porque não é permitido no Fundersul fazer uma estrada municipal”, advertiu. “Os municípios estão todos com dificuldades, pesando educação em cima dos municípios, saúde, então é uma situação complicada”, acrescentou.

Cana de açúcar – Na avaliação do deputado, atualmente quando se debate alternativas, como o plantio da cana de açúcar, por exemplo, que hoje é a coqueluche do mundo, causa-se uma grande celeuma, porque não pode haver queimadas. “Eu concordo, tudo que agride o ambiente, que polui, tem que ser eliminado, ou pelo menos ter um projeto de você em pouco tempo eliminar”.

Apesar de reconhecer a complexidade do assunto, Zé Teixeira entende que hoje as terras sofrem muito pela ação do homem nos assentamentos, principalmente pela falta de preparado e pelo descumprimento as leis.

O meio ambiente na reforma agrária, conforme o parlamentar, é mais agredido do que se imagina, já que corta-se a lenha, faz carvão, matam os animais, tudo sem critério. “Então, eu acho que a cana é uma alternativa, defender a conservação do meio ambiente eu vou continuar defendendo. Mas o que ela polui, só no tempo de crescimento dela, ela tem um crédito de mais de 50%, única planta que produz mais oxigênio puro do que qualquer outra atividade”.

“Nem sei se os produtores têm para investir um milhão em uma máquina para colher cana, já com investimento no primeiro e segundo ano. Eu entendo que o mundo é mercado, ninguém pode ficar em uma atividade sem ganhar dinheiro. Então, a agricultura e a pecuária, com a política agrícola existente hoje no País, são totalmente inviáveis”, opinou.

Do jeito que está, segundo o parlamentar, tem muitos agricultores e produtores rurais de Mato Grosso do Sul que, por falta de poder de investimento, de políticas para o setor, vão ver suas terras serem entregues para a reforma agrária.

 

 

Mídia Max

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