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19 de Julho de 2004 17h21

Déficit pode levar hospital a fechar leitos no MS

O diretor-geral do Hospital Universitário de Campo Grande, em Mato Grosso do Sul, Pedro Ripel, revelou hoje que leitos podem ser fechados por conta da falta de recursos para manter a unidade. "Administrar um hospital público hoje em dia é difícil", afirma.

Ele justifica a iminência de uma crise no HU por conta de um déficit mensal de R$ 600 mil. De acordo com Ripel, os gastos são maiores que os repasses, problema comum hoje nos hospitais brasileiros. O SUS mantém teto de R$ 950 mil para o HU, "mas só em gastos fixos, como energia e pessoal terceirizado. por exemplo, a conta chega a R$ 700. Sobram R$ 250 mil para administrar as outras contas", revela. Em medicamentos são R$ 400 mil por mês, "há oito anos, tínhamos um estoque de R$ 2 milhões em remédios, hoje é quase nulo", diz o diretor.

De acordo com o administrador do hospital, Rildon Vaz da Silva, o repasse do SUS é irrisório para manter o hospital, "cada procedimento é um prejuízo", calcula. Vaz da Silva informou que com uma verba de R$ 1 milhão, enviada pelo Ministério da Educação em fevereiro, eles pagaram R$ 350 mil de atrasados com a Enersul e R$ 650 em medicamentos para dois meses. Outra verba deve sair, no mesmo valor, ainda este semestre, "mas não vai adiantar, não cobre insumos básicos do HU".

Compra de medicamentos, material para procedimentos médicos, manutenção preventiva de equipamentos e até reposição dos que estão quebrados ficam prejudicados. "Com isso vamos tendo que selecionar pacientes: se pudermos atender bem apenas 150, é o que vamos fazer", afirma Ripel.

Além da defasagem da tabela do SUS, Ripel também cita a falta de pessoal. Ele diz que é um problema sério, porque os plantonistas do Pronto Socorro e do CTI pediátrico não conseguem atender a demanda, "pagam pouco, ninguém quer vir fazer plantão aqui". Um plantão de 12 horas no HU custa R$ 160, na Santa Casa é R$ 250. "E ainda é pouco, no Hospital Miguel Couto, que é particular, eles pagam quase R$ 500".

Hoje o Hospital Universitário tem 240 leitos. E passa por uma greve dos funcionários técnicos administrativos, que trabalham em escala reduzida em 50%. Mesmo assim, a paralisação não foi suficiente para diminuir o número de internações. Do total, 200 leitos continuam ocupados. "Estamos atendendo apenas emergência, mas pacientes graves não param de chegar", aponta o diretor, que justifica a demanda com da Santa Casa. Por mês, com o funcionamento normalizado, são entre 12 mil e 13 mil atendimentos no hospital.

A falta de funcionários é sentida pelos pacientes. Cristiane Ramos acompanha o pai Arlindo Valêncio. Ele está internado há um mês com problemas respiratórios. "O atendimento é bom, mas tem poucos enfermeiros", lamenta Cristiane.

A demora também se prolonga para quem está do lado de fora. A dona de casa Adriana Conceição esperava há duas horas para conseguir atendimento no Pronto Socorro. O filho de um está com pneumonia. Mas a volta dos técnicos administrativos não seria suficiente para amenizar a crise. "Se eles voltarem , o número de atendimento aumenta e os gastos também", diz o diretor Pedro Ripel.

Um relatório está sendo elaborado pela direção do hospital sobre todas as condições de custeio, manutenção e atendimento. A idéia é adequar a capacidade conforme a disponibilização de verbas. O documento também será encaminhado aos gestores do SUS e à reitoria da UFMS (Universidade Federal de Mato Grosso do Sul.

 

Terra Redação 

Colaboração de Vera Camargo.

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