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Cresce o número de novos empreendedores na internet

10 Abr 2007 - 07h55
 

O comércio eletrônico brasileiro, que apresentou um crescimento de 76% nas vendas em 2006, não é território exclusivo das grandes varejistas. Seja como alternativa para entrar no mercado ou apenas como estratégia de negócio, muitas pequenas empresas estão optando por oferecer produtos e serviços na internet e assim, participar do bom momento que atravessa o comércio online no País.

Segundo a Câmara Brasileira de Comércio Eletrônico (Câmara-e.net), já existem 14,9 mil pequenas e médias companhias que vendem na internet. "Apesar de responderem por apenas 20% do movimento total de vendas, a quantidade de novos empreendedores na internet vem crescendo muito", afirma o consultor da Câmara-e.net, Gastão Mattos.

Os motivos, para especialistas, são a popularização desse tipo de negócio no País e o preço reduzido dos serviços de criação de lojas virtuais. "Hoje, com R$ 200 por mês, o empresário pode implantar um sistema de venda eletrônica", diz o diretor do instituto de pesquisa E-bit, Pedro Guasti. Em 2005, o carioca Fábio Seixas gastou R$ 20 mil para abrir sua loja virtual, a Camiseteria. Segundo ele, com esse valor, seria impossível inaugurar a loja física. "A internet viabilizou nosso negócio". Menos de dois anos após o início das atividades, o site, que vende camisetas com estampas feitas por usuários, recebe 12 mil acessos por dia. As visitas se convertem na venda de 1,8 mil camisetas por mês e num faturamento mensal de R$ 100 mil.

Para o consultor em tecnologia da informação do Sebrae-SP, Jorge Rocha, o comércio eletrônico traz muitas vantagens para o microempresário. Entre elas, o investimento inicial reduzido e a possibilidade de se atingir um público maior. Mas essa forma de negócio também impõe desafios. "Tem de estar tudo funcionando direitinho. Caso contrário, pode ser desastroso", diz Rocha. "Funcionar direitinho", nesse caso, significa manter informatizados os sistemas de controle financeiro e de estoque, além de cuidar bem da logística de entrega.

O paulista Luis Fernando Donatti sentiu na pele os efeitos da falta de estrutura. Em 2001, começou a vender acessórios para carros e jipes por meio de um site que ele próprio criou e colocou no ar. As encomendas começaram tímidas: apenas uma ou duas por semana, enviadas por Sedex e cobradas por boleto bancário. Dois anos depois, chegavam a 40 por dia.

O sistema do site não suportou e Donatti precisou tirá-lo do ar por alguns dias. "Não dava mais conta de cuidar do site, embalar os produtos e administrar a empresa sozinho". A saída foi contratar uma empresa especializada para implantar o sistema de "carrinho de compras", que permite o pagamento por cartão de crédito. Também contratou 16 funcionários. Hoje, fatura R$ 2 milhões. "Tenho clientes até na Espanha e em Portugal."

Outra alternativa que muitas empresas vêm usando para entrar no comércio eletrônico é mirar em nichos de mercado específicos. Segundo Pedro Guasti, da E-bit, o comércio de livros técnicos, tênis e perfumes importados e flores são algumas das áreas em que as pequenas são mais atuantes.

 

Agestado

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