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6 de Outubro de 2004 15h51

Cigarro mata um em cada dois fumantes

O chefe da área de Cirurgia do Instituto Nacional do Câncer nos EUA, James L. Mulshine, disse nesta quarta-feira que "um em cada dois fumantes morre por causa do tabaco, devido a um câncer de pulmão, de pescoço ou de cabeça, ou por infarto".

"Em média, os fumantes morrem quatorze anos antes de quando morreriam se não tivessem fumado", completou Mulshine. Ele divide uma conferência sobre o câncer de pulmão dentro das jornadas "Fronteiras em Biomedicina", organizadas por causa do cinqüentenário da Faculdade de Medicina da Universidade de Navarra. Para o médico, o tabaco "é o produto comercial mais letal que existe, e é assombrosa a prevalência do hábito do tabagismo no mundo".

Este especialista americano, um dos mais destacados nessa área, afirmou em entrevista coletiva que "o que ocorre nas vias respiratórias como efeito do fumaça do tabaco é uma transformação de uma célula normal em uma tumoral". Ele se referiu ao câncer de pulmão como uma doença "muito difícil de tratar que constitui um problema social muito importante", por isso "é preciso louvar e promover os esforços para diminuir o consumo de tabaco, sobretudo entre as pessoas jovens".

Mulshine se mostrou otimista com os últimos resultados das pesquisas sobre o assunto, e ressaltou que "estão havendo melhoras nos tratamentos para combater esta doença, algumas baseadas no melhor conhecimento do câncer de pulmão". Segundo ele, em vários grupos internacionais estão se incrementado as técnicas de diagnóstico precoce deste tipo de tumor. "Foi demonstrado que com técnicas de imagem (como ressonância magnética e tomografia) é possível detectar tumores pulmonares de tamanho reduzido, cada vez menores". Na atualidade, pode-se conseguir "muitas imagens do tumor que posteriormente são levadas para o computador e cujo resultado é a visão de imagens tridimensionais que ajudam a estudar a evolução deste tipo de câncer".

Outro participante das jornadas sobre oncologia, é o professor de Cirurgia Oncológica do Centro do Câncer Daniel den Hoed, de Roterdã, Alexander M. Eggermon. Em sua entrevista à imprensa, o especialista falou sobre diversas técnicas contra o câncer e destacou uma que "evita a amputação de pernas ou braços em pacientes com grandes sarcomas ou melanomas".

Ele explicou que os pacientes são tratados isolando a circulação da extremidade do tumor e passando um líquido pelos vasos sanguíneos da zona afetada, aplicando nessa circulação externa "a combinação de remédios necessária para tratar o tumor com uma concentração cinqüenta vezes mais alta que a normalmente possível". Eggermon comentou que se essa concentração fosse aplicada ao corpo inteiro do paciente poderia prejudicar a medula óssea ou outros órgãos, mas com esta técnica "o tumor se reduz consideravelmente e depois de oito semanas se pode fazer a cirurgia". Sobre sua aplicação, o especilista acrescentou que está disponível em quarenta centros de câncer em toda a Europa.

 

 

Terra / EFE

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