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30 de Setembro de 2004 10h05

Apenas um em cada 4 brasileiros compreende o que lê

O Indicador Nacional de Analfabetismo Funcional (Inaf) mostra que o Brasil tem 16 milhões de analfabetos com mais de 15 anos (9% da população). Apenas 26% da população com mais de 15 anos, segundo o Instituto Paulo Montenegro, têm domínio pleno das habilidades de leitura e escrita. Ou seja, um em cada quatro jovens e adultos brasileiros consegue compreender totalmente as informações contidas em um texto e relacioná-las com outros dados.

O restante, 50% dos brasileiros, são os chamados analfabetos funcionais, que "mal conseguem identificar enunciados simples, sendo incapazes de interpretar texto mais longo ou com alguma complexidade", aponta o Inaf. Para melhorar a situação, o governo aposta em outro dado.

De acordo com a pesquisa "Retratos da Leitura no Brasil", 67% dos brasileiros têm interesse pela leitura. O Plano Nacional do Livro, Leitura e Biblioteca " Fome de Livro considera que as pessoas têm vontade de ler e para estimular o hábito, agirá em várias frentes.

Uma delas é zerar o número de cidades brasileiras sem uma biblioteca. A outra é criar uma política federal centralizada para aumentar a leitura. A democratização do acesso ao livro se dará por meio das bibliotecas públicas, da revitalização das cinco mil bibliotecas existentes, construção de acervos básicos infanto-juvenis, proliferação de centros de inclusão digital, livrarias e realização de campanhas de distribuição de livros.

O terceiro eixo, o fomento à leitura, será desenvolvido por meio da formação de cem mil mediadores, pessoas como professores e bibliotecários que, no dia-a-dia, vão procurar formas de estimular a leitura. "Eles têm que estar preparados para desenvolver formas de fomentar a leitura, sugerir livros ou mostrar outros livros daquele autor", explica o coordenador do plano, Galeno Amorim.

Trabalho voluntário, como o de contadores de histórias, também estará incluído nos cursos de formação. A valorização do livro, também deverá ser estimulada com campanhas nos meios de comunicação: "2005 é o Ano Ibero-americano da Leitura e, neste período, campanhas em rádio e televisão serão desenvolvidas em 20 países", anuncia o coordenador.

Os recursos a serem destinados ao programa Fome de Livro ainda não estão definidos. Durante o mês de outubro, cada um dos ministérios irá informar quanto estará previsto em seu orçamento para os próximos três anos. No final do mês, "teremos esse número fechado", declara Galeno.

Conforme pesquisa encomendada pela Câmara Brasileira do Livro e pelo Sindicato Nacional de Editores de Livros em 2001, 61% dos brasileiros adultos alfabetizados têm muito pouco ou nenhum contato com os livros, não existem livrarias em 89% dos municípios brasileiros e 6,5 milhões de pessoas não têm condições financeiras de comprar um livro. De acordo com o Mapa do Analfabetismo no Brasil, produzido pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep), 35% dos analfabetos brasileiros já freqüentaram a escola.

O título do projeto é uma homenagem a um de seus idealizadores, o poeta Waly Salomão, que costumava dizer: o povo tem fome de comida e de livros. "O governo criou o Fome Zero para combater a fome e a miséria que têm, como eixos estruturantes, a educação e a cultura. O Plano faz parte do conjunto de políticas sociais do governo federal", lembra Galeno Amorim.

 

Terra Redação

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