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TECNOLOGIA

Polícias Científica e Penal coletam DNA de custodiados para banco usado em investigações crimes

Ação coordenada pela Sejusp foi realizada na Gameleira II, em Campo Grande, e integrou operação do Codesul voltada à comparação genética de perfis e vestígios de crimes

5 Mai 2026 - 07h49Por Redação Fátima News

A Polícia Científica de Mato Grosso do Sul e a Polícia Penal realizaram, na quinta-feira passada (30), cerca de 300 coletas de material biológico na Penitenciária Estadual Masculina de Regime Fechado da Gameleira II, em Campo Grande. A ação foi coordenada pela Sejusp (Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública) e integrou a Operação Codesul Perfil Genético, desenvolvida de forma articulada entre Mato Grosso do Sul, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul.

As coletas foram feitas em custodiados previamente selecionados conforme as hipóteses previstas em lei. O procedimento é não invasivo e teve como finalidade obter perfis genéticos para inserção no BNPG (Banco Nacional de Perfis Genéticos), após processamento laboratorial, validação técnica e cumprimento dos critérios da RIBPG (Rede Integrada de Bancos de Perfis Genéticos).

O banco permite comparar perfis genéticos de pessoas legalmente cadastradas com vestígios biológicos encontrados em locais de crime ou em vítimas. Esse cruzamento pode indicar vínculos entre crimes diferentes, apontar possível autoria e acrescentar prova técnico-científica a investigações criminais.

Em Mato Grosso do Sul, a Polícia Penal atuou na triagem, seleção e organização dos custodiados dentro da unidade prisional. A Polícia Científica foi responsável pela coleta, análise laboratorial, validação e gestão técnica dos perfis genéticos por meio do IALF (Instituto de Análises Laboratoriais Forenses).

Para o diretor-presidente da Agepen (Agência Estadual de Administração do Sistema Penitenciário), Rodrigo Rossi Maiorchini, a operação mostra a importância da integração entre a rotina prisional e o trabalho técnico-pericial.

“A etapa realizada dentro do estabelecimento penal exige planejamento, controle de fluxo e identificação prévia dos custodiados que se enquadram nos critérios legais. Esse trabalho de organização é o que permite que a Polícia Científica execute a coleta com segurança e dentro dos protocolos necessários”, afirmou.

A diretora do IALF (Instituto de Análises Laboratoriais Forenses), perita criminal Josemirtes Prado da Silva, destacou a participação do instituto na operação.

“Cada perfil inserido com qualidade técnica amplia a capacidade de comparação do banco. Isso pode permitir a conexão entre crimes, indicar possíveis autores e abrir novas linhas de investigação em casos que dependem de prova científica”, explicou.

Em Mato Grosso do Sul, a RIBPG registra 5.034 perfis genéticos na área criminal. A maior parte é de condenados: são 4.081 perfis, o equivalente a aproximadamente 40% das 10.178 pessoas condenadas no sistema prisional estadual, conforme o Mapa Prisional da Agepen de dezembro de 2025.

Esse é o universo que operações como a realizada na Gameleira II buscam ampliar. A base estadual também conta com 910 perfis oriundos de vestígios, 39 de identificados criminalmente, três de coletas por decisão judicial e um de resto mortal identificado.

O impacto aparece quando esses perfis são confrontados com vestígios biológicos coletados em locais de crime ou em vítimas. Até novembro de 2025, Mato Grosso do Sul registrava 88 investigações auxiliadas pela rede, 46 coincidências entre vestígios e 13 coincidências entre vestígio e indivíduo cadastrado criminalmente.

No país, o XXIII Relatório da Rede Integrada de Bancos de Perfis Genéticos, com dados consolidados até 28 de novembro de 2025, aponta 272.275 perfis genéticos no Banco Nacional. O documento registra 11.251 coincidências confirmadas e 8.132 investigações auxiliadas.

A ação coordenada pela Sejusp (Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública) contribui para ampliar a base de comparação genética usada no apoio a investigações criminais e à instrução processual, dentro dos limites legais e técnicos definidos para o uso de dados genéticos.

Maria Ester Rossoni, Comunicação PCi-MS

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