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Projeto apoiado pelo Governo de Mato Grosso do Sul usa novas tecnologias contra enchentes na Capital

18 Mar 2026 - 10h04Por Comunicação Fundect

Nortear ações preventivas a partir de sistemas capazes de antecipar riscos causados pelos impactos das fortes chuvas em Campo Grande, que ocorrem em especial no período de verão. Esse é o objetivo de pesquisas realizadas desde 2017 com o apoio do Governo de Mato Grosso do Sul, por meio da Semadesc (Secretaria de Meio Ambiente, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação) e da Fundect (Fundação de Apoio ao Desenvolvimento do Ensino, Ciência e Tecnologia).

Um exemplo desses estudos é o HidroEX - Extremos Hidrológicos em Múltiplas Escalas, realizado na UFMS (Universidade Federal de Mato Grosso do Sul) para desenvolver um avançado sistema de monitoramento e previsão de enchentes. Essa iniciativa que já está ajudando o município a monitorar as águas das chuvas - só em fevereiro foram mais de 300 mm, quantidade que não era registrada há 10 anos na Capital, conforme a Defesa Civil local.

O projeto HidroEX - Extremos Hidrológicos em Múltiplas Escalas consolidou uma trajetória científica que hoje combina equipamentos de ponta, inteligência artificial e aplicação direta no planejamento urbano de Campo Grande, de acordo com o relatório apresentado para a Fundação.

Segundo o coordenador do projeto, professor Paulo de Tarso, o apoio da Fundect foi fundamental para o crescimento da ideia. “Em 2017 a gente tinha basicamente um projeto pequeno, na época universal, do CNPq, que deu um start para a gente desenvolver os trabalhos nessa linha”, explica. Atualmente, o projeto também resultou em sistemas de alerta e aplicativos voltados a áreas específicas de inundação na cidade.

Fase inicial

Na fase inicial, os estudos utilizaram dados de chuva e de nível da água monitorados pela Prefeitura, com foco principalmente na Bacia do Prosa. A aprovação do HidroEX pela Fundect representou um ponto de inflexão nessa trajetória. "Depois do HidroEX, a gente conseguiu comprar equipamentos de ponta", afirma o pesquisador, ao destacar que o projeto permitiu um impulso maior no desenvolvimento de novas pesquisas e tecnologias.

Com o apoio da Fundect, o grupo passou a trabalhar com sensores sem contato com a água (não ficam submersos), radares, câmeras e modelos baseados em inteligência artificial.

"Hoje a gente tem, por exemplo, um radar que mede nível de água ali no Prosa", explica o coordenador, ao ressaltar que esses dados são utilizados na calibração de modelos hidrológicos e hidráulicos que contribuem para entender o comportamento das águas.

Resultados

Entre os resultados do HidroEX está o desenvolvimento de ferramentas inovadoras baseadas em deep learning (aprendizado de Inteligência Artificial), sistemas de alerta e aplicativos voltados a áreas específicas de inundação na cidade.

"Foi desenvolvido um modelo de deep learning e usando câmeras com as quais é possível simplesmente, em qualquer ponto de um rio, gravar um vídeo e ter a ideia da altura da água e consequentemente da vazão", relata o pesquisador. Segundo ele, esse é um dos subprodutos tecnológicos gerados a partir do projeto.

Além disso, foram desenvolvidos modelos hidráulicos calibrados utilizados para subsidiar o planejamento urbano. De acordo com o coordenador, esses modelos permitem avaliar “as melhores descoberturas do solo na região para minimizar impactos de picos de cheia, de volumes de cheias”.

Desdobramentos

Os dados e resultados obtidos no HidroEX viabilizaram a aprovação de um novo projeto temático no CNPq, voltado a sistemas rápidos e antecipados de alerta de inundações. “Esse projeto tem contribuído ainda mais para a gente avançar nessas linhas que foram impulsionadas com o projeto do HidroEX”, afirma o pesquisador.

Atualmente, o grupo trabalha com a integração de dados de modelos climáticos aos modelos hidrológicos para indicar áreas de inundação antes mesmo da ocorrência das chuvas.

Outro resultado do projeto é o fortalecimento da relação com a Prefeitura de Campo Grande. Está em fase de formalização um convênio que prevê a manutenção e a gestão de uma rede de 54 pluviômetros distribuídos pela cidade, além da organização desses dados em um banco qualificado.

Segundo o coordenador, essa estrutura permitirá apoiar decisões do poder público e o planejamento urbano. "Antes de iniciar um loteamento ou uma nova obra que vai impermeabilizar o solo, a gente pode simular e ver qual é o impacto disso dentro de um sistema, de uma bacia", explica.

Apoio da Fundect

Ao avaliar o financiamento estadual, o pesquisador destaca que o apoio da Fundect foi determinante para a consolidação do projeto. "A Fundect foi extremamente importante nessa etapa pra gente, como eu falei, deu a impulsionada nos nossos trabalhos", afirma.

Ele também ressalta que a flexibilidade administrativa da Fundação permitiu a continuidade das pesquisas mesmo durante o período de atividades no exterior, garantindo o andamento do projeto e a atuação de estudantes e pesquisadores.

"O HidroEX representa o que defendemos como política pública de ciência no Governo do Estado: partir de um problema real da sociedade, investir para gerar uma solução concreta. A Fundect possibilitou o salto tecnológico necessário para integrar monitoramento em tempo real, modelagem e inteligência artificial. O resultado é uma ciência que não fica restrita à universidade, mas que apoia o planejamento urbano, fortalece a gestão pública e contribui diretamente para reduzir riscos e melhorar a qualidade de vida da população", explica o professor Cristiano Carvalho, diretor-presidente da Fundect.

 

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